sexta-feira, 11 de junho de 2010

Green Hills

Nem no mais inspirado dos dias, Van Gogh teria arte para rabiscar uma paisagem assim...
Montes verdejantes, vegetação sóbria, cavalos à solta e William, um miúdo de dez anos que combate um cancro com a determinação do mais inocente dos sorrisos, a encantá-los. Para onde ele vai, os equídeos, como que hipnotizados, seguem-no.
Green Hills. É aqui que me encontro. É neste local que gostaria de passar dias sem fim. E o fim destes dias em Magaliesburg(o).
Infelizmente, apenas posso usufruir do espaço em imaginação, pois após o breve pequeno almoço o buliço do dia não me permite contemplar, saborear essa beleza. Suspiro por essa qualidade de vida.
Sentados, à primeira refeição do dia, o quadro é idílico.
Sarah, mãe de três filhos, e os pais Peter e…. (ainda não conseguimos saber o nome da senhora) fazem-nos sentir verdadeiramente em família. É este um dos melhores lados do Mundial2010. Um dos “bright side” da África que tarda em mostrar o seu lado mais humano.
Leia mais...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

TRANQUILA In-segurança

“Isto é muito calmo. É uma comunidade pequena, pacata. Não mais de 2.000 pessoas. Há emprego e prosperidade. Não há qualquer problema, mas é sempre melhor prevenir, certo?”.

Foi o mais belo sorriso de Gauteng a fazer o aviso e isso, por si só, já garantia a maior segurança neste e no outro Mundo.

Por que haveria de preocupar-me com o facto de ter de barricar-me dentro do “cottage”, fechando “sempre” o gradeamento que complementa a porta de entrada, esteja dentro ou fora?

Deveria estranhar o facto da casa, ainda por cima, também ter um sofisticado sistema de alarme?

Será que devo desconfiar quando, ainda assim, nos aconselharam também a ter sempre a luz exterior ligada?

E porque me falou Sarah do botão junto à cama que, acionado, faz com que em impercetíveis minutos entrem vários “gorilas” armados até aos dentes em casa para averiguar o que se passa?

Em Portugal, se conduzir, não beba. Aqui, se conduzir, não o faça à noite.

África do Sul: Uma doce Teoria da Conspiração?
Leia mais...

O MUNDO AO CONTRÁRIO...

- “Rui estás em contra-mão. Espera! Afinal estavas. Não, agora é que estás!”, avisou-me, confuso, o Ortega.

Pois é. Conduzir pela esquerda é uma aventura sui géneris. Não recomendável a gente distraída (como eu) ou sensível e avessa a emoções fortes. Há 28 horas que saíra de Lisboa (da caminha, tinha sido há bem mais tempo) e dava tudo por uma cama. Mas esta estava a mais de 100 km, distancia entre Joanesburgo e Magaliesburg.

Poucos minutos após abandonar o aeroporto a velocidade já chegava aos três dígitos, mas apenas em autoestrada. Aqui, com quatro ou cinco faixas, a única coisa que faz confusão são os inúmeros doidos que cruzam as faixas de um lado para o outro. Nas manhosas nacionais é que se torna mais complicado. A cada cruzamento, é um cálculo mental que cansa. Regularmente, vamos tranquila e alegre em contramão.

(...)

Entretanto, vários dias se passaram e posso afiançar, garantir e mesmo assegurar-vos que sou já um verdadeiro campeão nas “routes” sul-africanas. A Estela e o Ortega são, voluntariamente, e sem qualquer tipo de vergonhosa coação, minhas fiéis testemunhas. Acertar com o lado do cinto de segurança e entrar diretamente para o meu lugar é que é mais complicado, mas isso são irrisórios detalhes da vida de um “ÁS” do asfalto 
Leia mais...

sábado, 5 de junho de 2010

30 horas até à... caminhaaaaa!!

Valeu-me a ida antecipada para Lisboa. Ou as 30 horas entre quinta e sexta-feira até Magaliesburg ter-se-iam transformado numas 38-40. Uma verdadeira odisseia que nem Homero desejava. Lembrar-me de todos os pormenores, com escala em Maputo, cansa-me e não quero deixar ninguém no mesmo estado.
Entre alugar carro, levantar a credencial do Mundial2010 e tratar da internet, preciosas horas voaram. Pela amostra, haverá frisson entre o stress europeu e o relaxado ritmo africano, intemporal.
Combinamos estar as 15:00 no nosso lodge em Magaliesburg, mas já passava da meia noite quando chegámos. Felizmente, um casal idoso (os proprietários) recebeu-nos de braços abertos. O primeiro impacto de Green Hills não podia ser melhor.
Leia mais...

O que é que Maputo tem?

- “Vamos falar sobre isso ali, de volta ao terminal”.
- De forma alguma. No avião há uma lista com o nome dos passageiros. Verá que estou incluído na mesma, respondi.
- “Isso não sei. Mas é melhor falar ali. Está lá o meu colega”.
- Deixe-o estar. Não se incomode. Nem o chateie. Vamos ao avião.

Entretanto, o “candidato-a-fiscal-ou-qualquer-coisa-parecida”, com um óbvio e cúmplice olhar, chama o compincha que tenta colocar um ar ainda mais sério e não menos preocupado (comigo, claro está), insistindo na mesma solução. Que era melhor voltarmos ao terminal.
- Da pista só me dirijo ao avião, não volto atrás, insisto, impávido e sempre, sempre sereno.

Vendo-me irredutível, o personagem fictício 2 lá vai comigo ao avião.
Pesaroso, em menos de dois minutos confirma que realmente me chamo Rui Batista e que, de facto, viajo no lugar 20 F, como lhe dissera.
Meti o sorriso “vai-jogar-pau-com-os-ursos” nº47 (acreditem que há sorrisos mais nefastos) e deixei-o a falar sozinho, dirigindo-me ao meu lugar.

No voo Lisboa-Joanesburgo há uma escala em Maputo, onde chegamos por volta das 05:30. Os passageiros são “convidados” a sair duas horitas do avião. No regresso, já depois de ter entregue o cartão “em trânsito”, fui abordado, já na pista (tal como os outros passageiros), para mostrar o ticket to voo. No meio da tralha toda que carregava, não o encontrei naquele momento e o zeloso “inspetor” já esfregava as mãos de contente. Inocente, mantinha certamente a esperança de que a minha alegada aflição ou pretenso desconforto lhe fosse valer alguns euros…

O chato da história é que em dezembro já houve chatice com a polícia duas vezes em Maputo… sempre com ridículos pretextos para uns meticais/euros. Na fronteira com a Tanzânia, também em 2009, a polícia e o exército foram igualmente claros na tentativa de nos aliviar dos parcos cifrões que carregávamos. Também sem êxito.

Um país tão belo e com gente tão simpática e calorosa não merecia este persistente “lado B”.

*** Este texto foi (e os próximos tb serão) escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Leia mais...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Batista vs Mala = ...???

À terceira joelhada a mala fechou. Mesmo! Para que, desde o começo, perceba quem manda. Esta é, claramente, a pior parte de qualquer viagem. Lembrar de nada esquecer e, no fim, não esquecer mesmo de nada. Um desafio herculeano que… já falhei, pois esqueci o carregador do telemóvel. Que todos os males sejam iguais. Este tem solução. E um lado positivo: poupo umas 15 gramas!! YESSSSSSSSSS!!!

Deixar este Portugal gostosamente veraneante rumo ao instável planalto sul-africano não é propriamente o ideal, mas tudo tranquilo: vim “armado” para as adversidades, os dias relativamente quentes (20º) e as noites fresquitas (0º).

Se para qualquer homem já é uma dor de cabeça “empacotar” o “Kit- Sobrevivência”, imagine-se faze-lo em dobro (preparado para verão e inverno) e com metade dos “recursos” para qualquer das estações (a mala tem limite de 20 kg, lembram?). Esta tarefa deixou-me a precisar de férias lol. Isto, claro está, se não tivesse contado com qualquer ajuda feminina. Pois… confesso, pequei. Tenho de partilhar os méritos. 

Uma boleia falhada à última hora obrigou-me a improvisar e foi o companheiro Francisco (o meu cunhado) a salvar-me e levar-me a Campanhã. Uma rapidinha incursão na Lusa (acho que ninguém percebeu que entrei e saí) fez-me chegar ao Alfa pendular com escassos oito minutos de margem. UFA!!!

Refastelado no lugar 41 (com mesa, virado para a frente) vi um filme que só recordarei daqui a uns tempos. O Douro desfilou, à minha direita, e a saudade já aperta. Vão ser quase dois meses sem usufruir da cidade que aos 18 me adotou e fez crescer.

Não é, ainda, tempo de pensar na família e bons amigos que impacientemente (mas não muito) esperam pelo meu regresso e anseiam pelas histórias desta aventura. Nem tão pouco para sentir falta da casinha que guarda boa parte das melhores histórias vividas. Ou de lamentar a longa distancia para a saborosa comidinha que preenche todas os meus desejos.

É apenas altura de tratar das últimas questões técnicas e logísticas em Lisboa e de uma conversinha antes do Mundial2010.

A net teima em não funcionar na viagem e aproveito para olhar as praias de Espinho, que, quase desertas, me parecem mais atrativas do que nunca. Pena não ter podido parar para brincar com uma onda ou deixar-me envolver pela maresia…

Rb

PS: Se alguém me souber dizer como meter um contador de visitas no blogue, a dica é muito bem vinda :)

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Leia mais...

Propósitos deste blogue

Meus caros, este blogue serve tão-só dois propósitos:

1 – Uma memória futura para mim mesmo, registando histórias e experiencias que a mente vai esquecendo. Este registo é o garante que continuarão vivas em mim.

2 – Sossegar familiares e amigos e mostrar-lhes o que os meus sentidos têm captado. Não vai haver muito tempo para mails pessoais. É a melhor forma de vos ir contando o que se passa deste lado.

rb

PS: Uns dias com mais cuidado e outros com menos. Não esperem uma obra literária ou palavras e frases bonitas, pomposas. Escrevo de uma penada, volto a ler e, se não detetar erros, siga p’ra bingo!

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Leia mais...