terça-feira, 26 de outubro de 2010

australianovazelandia.blogspot.com

Aos amigos que gostaram deste blogue, sigam aventura ainda mais excitante - espero!! - em australianovazelandia.blogspot.com

Enquanto "seguidores" terão novidades no mail sempre que as houver...

Até já...
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O, P, Q, R, S, T, U, V, X… (ufa ufa) ZZZZZ!!!!


Pois é. O blogue vai ter de ficar por aqui. Deu para aprender uma lição. Há “trabalhos” que devem ser terminados no local. À distância de um Continente, longas semanas depois, torna-se complicado e inverosímil explorar os cinco sentidos de experiencias que só ‘in loco’ são realmente vividas, palpáveis. Por isso mesmo, a todos os amigos, as minhas sublimes desculpas. Não me engano, nem vos levo pelo mesmo caminho.
Entretanto – e para minorar o pesaroso 'sofrimento' (presunção e água benta...) de quem esperou por um final diferente – aguço já o apetite para o próximo desafio: australianovazelandia.blogspot.com
Calma! Está criado, mas ainda não “arrancou”. Está para breve...
Foi, é e será sempre um prazer…
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

N - NAMÍBIA








O que dizer de um país que nos surpreende a cada curva, pessoa ou momento? Não é à toa que a Namíbia é dos destinos mais procurados por quem visita África. Não é um acaso o facto de ser um dos mais evoluídos e socialmente mais estáveis do mais promissor dos continentes. Africanos e brancos vivem em considerável harmonia. Ambos entendem que não vivem sem o outro. País seguro, limpo, organizado. Mágicos desertos ou esplêndidas praias, estimulantes safaris ou belos parques, natureza esplêndida e bizarra são alguns dos interesses de um grande país com pouco mais de 1,5 milhões de habitantes e que, virado para o atlântico, está “entalado” pela África do Sul, Botswana, Angola e um ‘cheirinho’ de Zâmbia. Voltarei, sem dúvida.
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sábado, 31 de julho de 2010

M – MUNDIAL 2010




Ao caos esperado pelo mundo, respondeu a África do Sul com uma organização (obviamente, controlada pela FIFA) acima das expetativas mais pessimistas. Mas daí a ser um estrondoso sucesso, vai uma certa distancia. Nem com muita boa vontade.
Face ao monumental relaxe, que foi gerido com paciência de todos, sobraram problemas (destacaram-se as claras falhas em termos de segurança, mas valeu o secular bom relacionamento entre o ANC e inúmeros grupos radicais – sim, terroristas – desde o tempo do Apartheid) que a tal paciência e boa vontade foram ajudando a suprir.
Ainda assim, este povo também se fez notar pela boa vontade e inúmeros sorrisos. E um orgulho imenso pelo que o país conseguiu. Houve ainda o condão de negros e brancos estarem unidos como nunca (bom, como no Mundial de râguebi de 1995, que o país conquistou em casa), em harmonia no apoio aos Bafana Bafana. Se excluirmos as mais-do-que-irritantes-e-incompreensivelmente-populares-vuvuzelas, o primeiro mundial em África (em vida, não imagino outro neste continente) vai, tanto pelo melhor como pelo pior, deixar saudade...
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quinta-feira, 29 de julho de 2010

L - LESOTO






“Lesoto (antiga Basutolândia) é um pequeno país da África Austral, encravado no interior da África do Sul. Tem um dos mais altos índices mundiais de contaminação do Vírus HIV. Incrustado na África do Sul, montanhoso e sem saída para o mar, é o antigo Reino da Basutolândia, um dos países etnicamente mais homogéneos da África: 99% de sua população é da etnia basoto. Os locais vivem da agricultura e criação de ovelhas nos montes Drakensberg, que domina a maior parte do território e atingem mais de 3.000 metros de altitude. É bastante dependente da África do Sul. O dinheiro enviado por seus cidadãos empregados nas minas e fábricas sul-africanas representa 26% do PIB”, in Wikipédia.

Assim descrito, quase nem dá vontade de lá ir. Quase… É a eterna questão da importância do que os nossos olhos vêm e o coração sente. E em Maseru, a capital, vi e senti a melhor das áfricas. Gente muito sociável e extremamente afável. Ficou por ver o que mais desejava, as paisagens de cortar a respiração do Reino das Montanhas. Thats why i’ll be back 
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K – KRUGER





Não tem a magia de Ngorongoro ou Serengueti (Tanzânia), mas, para quem procura emoções fortes com animais selvagens, é um bom principio. A paisagem é diferente, não permite vislumbrar tantos espécimes do nosso imaginário, mas o Kruger torna-se mais “popular”: é consideravelmente mais barato e prático, pois, ao contrário da Tanzânia, aqui é possível levar carro próprio, já que o parque tem estradas asfaltadas. Obviamente, é proibido sair da viatura. É mais turístico e menos natural, mas o que importa quando podemos encontrar inúmeros encantadores animais?
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J – JARDIM




Soa a repetitivo, mas é de elementar justiça. A madeirense família Jardim foi inexcedível comigo, fazendo-me sentir em casa, em Bloemfontein, já em férias, a caminho do Lesoto. Gabriel (pai e filho), Maria Rosa e Patrícia foram naturais, amigos e conquistaram um lugar no meu peito. Ainda recordo aqueles momentos de magia ao piano…. Obviamente, meus braços abertos para quanto visitarem o Porto.
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quarta-feira, 28 de julho de 2010

I – Irreverência





Cada vez mais, os mundiais de futebol (e não só) têm destas coisas: adeptos que apostam mais em brilhar na festa do que propriamente a apreciar a essência do desporto. Na África do Sul os adeptos confirmaram isso mesmo. Quem é que, no seu perfeito juízo, vai apreciar um espetáculo de futebol de qualidade “extra” e passa a tarde/noite com os beiços na vuvuzela???
Antes dos jogos, brilha quem traja da forma mais bizarra, quem revela maior imaginação. Durante o jogo, as objetivas continuam à procura de “cromos” e beldades. Nas bancadas é uma festa e, acreditem, há muitos jogos em que são mais os foliões na assistência do que os “indefetíveis” torcedores pela sua seleção.
Profissionalmente, é uma delícia falar com a grande massa de irreverentes que várias horas antes do desafio já está a dar espetáculo.
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segunda-feira, 26 de julho de 2010

H – Holanda





O planeta gosta de “laranjas”, mas a sua mecanização foi emperrada pela Espanha, consensualmente uma justa vencedora do Mundial2010. À terceira final esperava-se que os “netherlanders” (holandeses são habitantes de uma região dos Países Baixos, uma nação que nós, em Portugal, chamamos, erradamente, Holanda) chegassem finalmente ao título, mas ainda não foi desta. Pena que uma equipa de vistoso futebol de ataque tenha dado aquela imagem na final: foi muita “fruta” nas canelas espanholas, algo que beliscou a sua imagem. Mesmo assim, continua a ser a “laranja” que conquista a simpatia e o respeito de todo o mundo. Foi uma das poucas seleções a apresentar um futebol positivo, aquele que motiva as pessoas a ir ao estádio. Nas bancadas, os seus adeptos voltaram a ser dos mais irreverentes, coloridos e animados.
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domingo, 25 de julho de 2010

G – GREEN HILLS


Foi a nossa casa (Lusa) durante o mundial. Um local isolado, escondido na natureza, mas intensamente aprazível. Uma família de trato fantástico com histórias deliciosas (o avô foi criado numa família aristocrática inglesa com ‘posses’ na Índia e a esposa, não ficando atrás, no Egipto). A filha Sarah, com três rebentos, perita em cavalos (usa-os igualmente como método para diversas terapias nos humanos - www.equi-talk.co.za/), tendo participado durante muitos anos em concursos de saltos. Foi ela a nossa instrutora na boa arte de montar. O local, rodeado de natureza, era de beleza ímpar. Já com imensa saudade das conversas ao pequeno almoço “regadas” a música clássica.
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sábado, 24 de julho de 2010

F – FRIOOOOOOOOOOOO…



Foi duro deixar o estimulante verão em Portugal e entrar no castrador inverno africano. Há quem pense que em África está sempre calor, muitas vezes infernal, mas isso só por completo desconhecimento. E porque não batia o dente com regulares temperaturas negativas (várias vezes atingiu os -6º) enquanto todos os amigos se refastelevam ao logo da costa lusitana a trabalhar para o bronze.
Custou a adaptar. Foi um processo bem duro. À noite, despir-me para entrar na fria cama era um problema. Sair dela de manhã para o banho um pesadelo. Abandonar o chuveiro quente um terror…
Parte da roupa mais leve que levei foi apenas de férias, pois nunca chegou a sair da mala.
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E – ESTRELAS / EMIGRANTES




Em Marrocos, no deserto de Merguza, tinha visto um céu ímpar no fim de ano de 2005. Agora, tanto no Botswana como na Namíbia, vi mais além. Imensos quilómetros sem luz na terra permite-nos vislumbrar um céu de sonho. Cheguei à via láctea. Ficou um indomável desejo de subir mais um patamar. Quero ser turista espacial  Como não é barato de todo, aceito donativos lol

Os mais optmistas falam em um milhão, os mais prudentes em 400 mil. Seja como for, são imensos os emigrantes portugueses na África do Sul. A esmagadora maioria de origem madeirense. Infelizmente, as gerações mais novas mal falam português. Ao contrário de quem faz pela vida em França, Alemanha, Luxemburgo ou Suíça, não encontrei um único a querer viver os últimos anos em Portugal. Desapontados com o país. Muito. Sobram queixas com os sucessivos governos, bancos e TAP, que lhes proporciona um serviço quantas vezes apelidado de “vergonhoso”. Na África do Sul têm bom nível de vida, em ritmo mais tranquilo. Trabalham, mas são justamente recompensados pelo suor e empreendedorismo. E estão bem organizados em comunidade, com muitos e animados momentos de convívio.
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sexta-feira, 23 de julho de 2010

D – Deserto – Duna 7




Quando se pensa em África, o deserto invade imediatamente o nosso imaginário. Sahara, a norte, Kalahari e Namibe, a sul, são alguns dos exemplos mais expressivos neste continente. Tive a felicidade de ir ao do Namibe, com uma área de 50 000 k2, ao longo da costa do sul de Angola e Namíbia, afastando-se do mar entre 50 a 180 quilómetros. E, a custo, subi a Duna 7, a maior duna de areia do Mundo (cerca de 383 metros, diz o wikipédia). No topo, ao fim da tarde, uma vista fantástica. Convida a regressar.
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C – CRISTIANO RONALDO / CRIMINALIDADE







Quantas páginas de jornal, reportagens de televisão, incontáveis apoiantes e ídolos de todo o planeta esperavam ver Cristiano Ronaldo brilhar, acima de todos, no Mundial2010? Incontáveis, certamente. Infelizmente para Portugal, tudo não passou de pura ilusão. Pura decepção. A montanha pariu um…
Enfim, sobrou “show-off”, faltou qualidade e atitude no seu futebol. E ausência de qualquer capacidade de liderança que lhe permita assumir a honra e responsabalidade de envergar a braçadeira de “capitão”. A decepção de um país (extensível a outros “navegadores”) e o desalento de milhares de madeirenses que na África do Sul viajaram milhares de quilómetros para ver o seu ídolo, demasiado cansado para lhes acenar ou agradecer o apoio, à semelhança da restante seleção.

Criminalidade – muita dela violenta – é uma das primeiras ideias associadas à África do Sul. Sobram os casos de emigrantes portugueses assassinados nos seus negócios, que ergueram durante uma vida. À excepção de Joanesburgo, uma metrópole pouco “amigável”, a generalidade das cidades aparenta segurança, caso tenhamos as precauções normais em países considerados problemáticos. Felizmente, e depois do grande susto com o assalto a jornalistas portugueses em Magaliesburgo, não proliferou o crime violento por muitos esperado no Mundial2010. Uma trégua que devia valer para o futuro.
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quinta-feira, 22 de julho de 2010

B – BOTSWANA




Estranho país claramente maior do que Portugal e com apenas 1,5 milhões de habitantes. Frequente encontrar animais domésticos ou selvagens em lugares ermos, mas sem rastro de pessoas. Sobram os burros (jumentos mesmo) livres a vaguear ao longo das estradas.
Gaborone, uma capital escura, sem iluminação eléctrica nocturna. Só à luz do dia se pode conhecer a cidade, com meia duzia de prédios (contados) e espalhada em interessantes bairros. País bem organizado, excelentes estradas, civismo rodoviário. Longa savana. Algo monótono. Inesperada complicação fronteiriça. Emigrantes pobres são indesejados. Inúmeras e imensas reservas de caça. Negros têm o poder político, brancos, mais uma vez, o económico.
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A – ÁFRICA DO SUL





País de extremos. Desenvolvimento surpreendente de mãos dadas com inúmeros bairros de lata. Nível de vida invejável ao lado de pobreza, miséria extrema. O país consome 40% da energia de todo o continente. Das poucas zonas de África onde é possível apreciar luz desde o céu (avião). Orgulho nacional pela organização do Mundial2010. Depois do histórico Mundial1995 de râguebi, sob o signo de Mandela, brancos e negros novamente unidos por um objectivo comum. Insegurança vs inesperado civismo na estrada. Muitos “jimbras” que se julgam imortais e perecem da forma mais estúpida possível em acidentes de viação. Esperava maior diversidade e riqueza gastronómica. Pouca criação cultural e artística. Remeniscências do Apartheid? “Giro” o cofre para armas em vários shoppings. Sorrisos. Paisagens deslumbrantes. Um país que responde a TODAS as necessidades de desejos de qualquer turista.
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A viagem terminou. As 'viagens' pelos vários lados desta África terminaram. Antecipadamente face ao programado e desejado, mas isso agora é irrelevante. Em 500 (ou um pouco mais) caracteres tentarei resumir a experiência global desta pequena aventura com comentários de A a Z. Sei que não está a ser possível enviar comentários, mas podem "dizer algo" (críticas, sugestões, expectativas próximas...) para o batista_rui@hotmail.com. Beijinhos e abraços... apesar da ausência de tempo, disponibilidade para escrever na "hora", foi uma experiência nova e enriquecedora.
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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Pina, o nosso António





- “Vais encontrar o Pina, um ‘gajo’ cinco estrelas que te ajudará em tudo o que for preciso”, disse o Pedro Sousa Pereira.
Vindo de quem vem, não duvidei das referências. Ao chegar à África do Sul, bastaram umas horas para confirmar as sabias palavras.
O António Pina, jornalista multifacetado que já passou por todas as áreas e diferentes tipos de órgãos de informação, foi um verdadeiro companheiro e cúmplice nesta jornada mundialista. Partilhou alegrias, frustrações, opiniões e, no fim, ainda arranjou uma cereja de um tamanho e sabor que nenhum bolo podia comportar.
- “Se quiserem ir à Namíbia, é para já. Só tenho de pedir uma semana de férias e arrancamos logo após o fim do Mundial”. Dito e feito.
No seu musicalmente bem instruído Toyota RAV 4 passamos juntos mais de 4.000 km por entre deserto, savana, cidades, animais selvagens… Uma verdadeira odisseia.
Pina prescindiu regularmente das suas muy apreciadas horas matinais de sono para se pôr a caminho para mais uma etapa da dura, mas recompensadora aventura. Pena termos de regressar à “pressa” por imperativos de vôo para Portugal. Foram 2000 os quilómetros a fazer à pressa em África. E não é fácil.
Recordarei com saudade a odisseia para encontrar o gelado que tanto desejava e o seu fetiche pelo Wimpy, uma das cadeias de fast food que vai permitindo aos viajantes comer a horas impróprias, quando tudo o resto está fechado.
Como bem sabes, companheiro, as portas de minha casa estão e estarão sempre abertas para ti. Cá te aguardo.
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Trópico de Capricórnio




Atravessa três continentes, apenas 11 paises e os três grandes oceanos. É uma linha geográfica imaginária que delimita a zona tropical sul. Já tive a oportunidade de a capturar em imagens em Salta, Argentina. Um ponto assinalado pomposamente. Na Namíbia, apenas uma placa indicativa. E chega.
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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Estrela cadente


Quando a beleza surge de surpresa, com contornos ímpares, é natural que voltemos a recordar temas que nos fazem felizes. É em situações destas que, sortudos e honrados, nos sentimos maiores do que o Ser, mas, no fundo, com tal cenário, percebamos de igual modo o quão pequenos e insignificantes podemos ser.
A estela cadente a que me refiro não é Cristiano Ronaldo – só invisto o meu tempo com e com quem é realmente importante – mas sim os meteoros que pegam fogo pelo imenso atrito criado à entrada na atmosfera, emitindo assim luz própria que faz com que sejam vistos.
A felicidade foi servida aos meus olhos em dose dupla. Uma ainda no Botswana e outra na Namíbia. Com vastas regiões desérticas, ausentes de civilização, sobram os lugares para contemplarmos o mais espectacular dos céus.
A primeira foi, sem dúvida, a que mais me encheu o peito: a cair mesmo à nossa frente e a desfazer-se ao entrar na atmosfera. Como fogo de artifício. Não era uma “estrela cadente” distante. Esticando os dedos, juraria que lhe podia tocar…
Um sereno sentimento de plenitude...
A segunda experiência, muito semelhante, igualmente sob o vislumbre da via láctea, mas sem o mesmo impacto na explosão. Fica-se pelo 9.9 na nota técnica 
Sob os meus pés, árido solo africano. Acima do meu olhar, todo um sistema solar que, devidamente apreciado em lugar VIP, satisfaz e realiza os sonhos de qualquer exigente imaginário.
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Gonçalo Cadilhe, “O Portuga”





Quando regressamos de Swakopmund e Walvis Bay, onde nos deliciamos com as dunas do Namibe, a noite ia já avançada e não havia muitos locais para jantar.
Windhoek é uma cidade muito bem organizada, simpática e com alguns restaurantes de “culto” e assim surgiu a ideia do Portuga, um espaço com fama – por nos comprovada – de boa comida.
Ao descer os quatro degraus da estrada para a entrada do restaurante, três donzelas cortavam na casaca a alguém e coraram com a nossa saudação na língua que nos une.
Segundos depois, percebemos que se tratava de um grupo ‘aventura’ na Namíbia, “escoltado” por Gonçalo Cadilhe, o homem que tem aberto horizontes e fronteiras a muitos leitores que seguem com agrado as suas invejadas viagens pelo mundo.
Ficamos na nossa – dadas as famintas circunstâncias, não trocaria aquele vinho e moelas por nada – mas foi possível constatar que quando desconhecidos se juntam para uma aventura em comum nem sempre as coisas correm de feição. Era o jantar de despedida. Sentiu-se boa disposição e já um certo ar de saudade. Apreciei o facto do grupo incluir turistas (para ser viajante, é preciso bem mais do que pagar um programa) de terceira idade.
Ao que foi possível apurar nos quatro dias em Windhoek, são cada vez mais os portugueses que se enamoram pela Namíbia. Seja para viver ou simplesmente para explorar os seus múltiplos pontos de interesse.
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Windhoek




Foi aqui que pensei, múltiplas vezes, como Portugal é claramente terceiro mundo quando comparado com alguns países, mesmo africanos.
A Namíbia é um caso de sucesso neste Continente. Uma economia próspera, uma sociedade bem organizada, com uma capital evoluída, limpa, sem tensões étnicas ou sociais visíveis. Com bons restaurantes, gente simpática, lojas de qualidade, uma rede de transportes que parece funcionar, claramente um bom exemplo em África. Um aeroporto internacional distante da cidade (devido a questões ‘montanhosas’) e um “privado” junto ao seu tecido urbano.
“Médicos do melhor que há, um excelente sistema de ensino, respeito e inter-ajuda inter-racial, quase total ausência de corrupção, imensas belezas naturais, calmo ritmo de vida. Múltiplas oportunidades de negócios. Um país onde alguém com valor e com vontade de trabalhar vencerá. Por isso estou aqui há 35 anos e não penso voltar”, resumiu Alfredo Pimenta, Cônsul Honorário de Portugal.
Ao turista acabado de chegar não é difícil acreditar nestas experientes palavras, pois o dia-a-dia encarrega-se de nos mostrar o seu acerto. Vi muitas coisas que me agradaram, mas sei que ficaram ainda muitas mais por saborear. Daí a que estou pronto para abrir uma excepção e voltar a este belo país antes de completar uma sonhada, fantasiada, desejada e varias outras coisas acabadas em “ada” volta ao planeta.
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sábado, 17 de julho de 2010

JIMBRAS on the way




Tínhamos percorrido já demasiados quilómetros de estrada no Botswana quando decidimos que naquela noite já íamos dormir à Namíbia. Melhor, à capital Windhoek, ainda a umas três horas e tal da fronteira.
Chegar a uma cidade desconhecida, completamente deserta à noite e à procura do Hotel Safari sem sequer ter o endereço não é boa politica. Por isso, mal vimos a esquadra da polícia, nem hesitamos.
- “Não é deste lado da cidade, mas não é complicado chegar lá”, disse-me a ensonada agente de serviço, indicando o caminho no mapa.
Quase que em simultâneo, o verdadeiro JIMBRAS, que dormia num banco, salta para a nossa companhia e dá-me uma palmada nas costas.
- “Vamos. Eu sei o caminho!”.
Face à cara da agente, logo percebi que se tratava de um “personagem” que convinha ter algum cuidado.
- “Relaxe, não é necessário. Com estas indicações chegaremos lá”, respondi-lhe, e saí da esquadra.
O Pina ainda ficou a trocar umas impressões com a senhora agente e o jimbras colou-se. Quando dei por ela, a Estela já estava a chegar-se para um canto do carro, para o nosso “convidado” entrar.
- “Não te trazemos de volta nem te damos dinheiro. Mesmo assim, queres vir?”, dissemos-lhe.
- “Sem problemas, vivo pertinho do hotel”, convenceu-nos.
Chegados ao destino, a primeira coisa que tão invulgar figura fez (sempre munido de uma malinha com um alegado portátil) foi pedir-nos dinheiro. Insistentemente. E a queixar-se precisamente de tudo aquilo para o que o tínhamos explicitamente avisado.
Ainda tentou fazer barulho na receção, que queria um quarto – pago por nós, imagine-se!! – mas levou com um esclarecedor NÃO e acabou por desistir. Entretanto, perdemos-lhe o rastro.
No dia seguinte, ainda o vi na rua. Com mos mesmos trages, a mesma malinha. Não me conheceu, mesmo tendo falado com ele. A foto documenta o momento. Nesta segunda conversa, voltou a dizer que era profissional da comunicação social.
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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Duna 7




É um dos múltiplos pontos de interesse da Namíbia. A Duna 7 integra o roteiro radical do país, mas também o social e até o de luxo.
Situada ao longo da costa da Namíbia, fica a uns 10 quilómetros de Walvis Bay (um madeirense já foi presidente de câmara desta cidade), uma cidade junto ao mar bem organizada e replecta de palmeiras.
É a mais alta duna da costa, com cerca de 130 metros, e que, à primeira vista, se sobe em tranquilos cinco minutos, mas que na prática não demora menos de 15. Então em caso de tempestade de areia é mesmo melhor esquecer.
Obviamente, não quis deixar de a subir e o corpo pagou por isso no resto do dia, deixando-me exaurido.
Com vento a complicar a subia e descida – é lindo ver a areia serpentear encosta acima - relembrei que a areia entra realmente em todo o lado. À noite ainda pensei que o chuveirinho tinha levado todos os “kg’s” que acumulei, mas esta manhã percebi que o deserto pode mesmo pregar partidas e chegar onde parece impossível.
Para contemplar um fim de sol soberto, para fazer sandboard ou andar de jipe em montanha russa, nada como visitar esta maravilha da natureza.
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SENHOR CÔNSUL





Alfredo Pimenta é um nome que não esquecerei. Não pelo enorme favor que nos fez, mas pela atitude e simpatia reveladas a cada dia, a cada gesto. E pelo “tempo” que não tem e o investe em nós sempre que (não) pode.
O tio do meu amigo Paulo Pimenta é o Cônsul Honorário de Portugal na Namíbia, onde faz vida há 35 anos. A pulso, e depois de perder a sua “vida” com apressada saída de Angola, construiu um novo império que agora inclui, entre outros, um dos melhores complexos hoteleiros de Windhoek, os hotéis Safari. O amigo Pimenta teve a gentiliza de nos convidar aos três a ficar os dias que entendêssemos sem nos preocuparmos com qualquer despesa. Não me conhecia, nem à Estela. E ao Pina apenas foi apresentado há um par de meses. Apenas tinha “comunicado” com ele através do seu sobrinho Paulo.
O hotel é excelente, o serviço também, mas a sua gentileza para connosco, o amor com que fala da Namíbia, os conselhos e dicas que nos deu sobre este país superam tudo isso. Aqui fica o agradecimento a alguém a quem a vida pouco mais pode dar, que pode andar em bicos de pés, mas caminha por entre iguais com uma energia e vitalidade dignas de inveja. Até breve, Amigo!
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IMAGEM PERFEITA, SENSAÇÕES INDISCRITÍVEIS



Quando em 2004 passei o fim de ano no deserto de Merzuga, Marrocos, pensei que jamais apreciaria céu igual. Dezenas, centenas ou milhares de brilhantes pontos luminosos faziam do firmamento o mais apetecível dos lugares alguma vez sonhados.
Felizmente, este mundo ainda tem capacidade de sobra para nos surpreender.
Em duas noites consecutivas viajávamos sem qualquer luz no horizonte, o que permite apreciar o céu na sua plenitude. Paramos o carro, nem um barulho, apenas o de alguns animais selvagens, que proliferam pelo país.
Olhando para o céu, novamente maravilihados com um espetáculo único que se revelou ainda mais envolvente e inesperado: era verdade, é mesmo possível ver a via láctea a olho nu.
Imaginem apenas o que se pode sentir, pois não quero limitar a fantasia, o imaginário de múltiplas sensações com o meu parco vocabulário.

WIKIPÉDIA
"A Via Láctea é a galáxia onde está localizado o Sistema Solar. É uma estrutura constituída por cerca de duzentos biliões de estrelas (algumas estimativas colocam esse número no dobro, em torno de quatrocentos biliões) e tem uma massa de cerca de um trilhião e 750 biliões de massas solares. A sua idade está calculada entre 13 e 13,8 biliões de anos, embora alguns autores afirmem estar na faixa de catorze biliões".
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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Botswana





A Namíbia sempre foi o objetivo principal, pelo que a ideia era atravessar o Botswana no menor espaço temporal possível. Isso exigia madrugar, acertar no caminho (um erro pode significar horas de atraso) e fazer um esforço suplementar para aguentar um dia sentado ao volante, ou a navegador.
Realmente, o Botswana cumpre a fama de país bem organizado e com um bom nível de desenvolvimento. A capital Gaborone não tem mais de meia dúzia de prédios, mas está urbanisticamente muito bem arranjada. Tudo alcatroado e não há lixo nas ruas. Um exemplo que Portugal, dito país civilizado, bem poderia seguir.
Já a caminho, muito admirado pelo facto das estradas estarem impecavelmente convervadas, com as marcas laterais e centrais bem visíveis e reflectores no solo em toda a sua extensão durante centenas de quilómetros, para guiar quem conduz à noite. Placas a avisar curvas após longas retas. Surpreendente.
Pena as sucessivas mudanças de limite máximo de velocidade. Entre 120 e 80 não há motivo aparente para mudança, mas foi mesmo isso que nos traiu. Íamos a 122 em local de 80. Apanhados no rador e 940 pulas de multa. O equivalente a 100 euros. Protestamos, lamentamos, prometemos um comportamento irrepreensível daí para a frente. Inicialmente irredutível, o polícia acabou por baixar a pena para 500, mas, com um choradinho, ainda conseguimos reduzi-la para 300. E com direito a recibo!
Lá prosseguimos a longa viagem que se tornou eterna por ser monótona. Savana, savana e mais savana. Inicialmente bela, progressivamente enfadonha.
Com um território mais amplo do que Portugal, o Botswana não tem mais de 1.5 milhões de habitantes e isso nota-se clarmaente quando se viaja. Não havia modos de encontrar “gente”. Aldeias só de muitos em muitos quilómetros e sem locais públicos para comer ou reabastecer a viatura. Mas sobravam burros (asnos, mesmo) e cabras à solta, seja nas bermas ou mesmo no meio da estrada. Também apanhamos três avestruzes. E, já perto da fronteira, uma nesga evitou que matássemos uma vaca, que, a meio da noite cerrada, estava parada no meio da via. Ainda lhe vi a pupila dos olhos. Eu sei o pânico que vivi. Não sei o que pensou ela. Provavelmente não percebeu que foi por um triz que no dia seguinte não era hambúrguer no Wimpi, uma cadeia de fast food que se revelou uma útil praga em África.
Ainda metemos gasolina no mais estranho posto de abastecimento até hoje visto (no meio de “nada” e sem luz) e encontramos um galo de Barcelos num restaurante, bem como a sua lenda.
Sair do Botswana e entrar na Namíbia à noite foi admiravelmente fácil, certamente porque era a hora da novela. Brasileira, mas traduzida em inglês. Todos os polícias, homens e mulheres, vidrados no ecrã. Perdemos excelente oportunidade para traficar produtos proibidos.
Perto da meia noite, estávamos a chegar a Windhoek, capital da Namíbia. Finalmente, uma cama!
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Erecto no… funeral!




Parecia mentira, mas não era. A Glitter Stones, a funenária que encontramos no primeiro hotel no Botswana, promete uma “ERECÇÃO NO DIA DO FUNTERAL”. Pensei imediatamente que não haverá melhor forma de passar para o outro mundo…
A minha gargalhada, misturada com a do Pina e da Estela motivou alguma estranheza no casal da recepção.
“Same day funeral erection”, dizia o panfleto. Evidente que não podemos traduzir à letra, mas somos portugueses… tal como os presumíveis donos da funerária. A nova surpresa surgiu já com as fotos dos três pirosos túmulos, dois dos quais com os nomes bem visíveis. Adivinham quais? Eu ajudo: Ferreira e Natalina. Que dupla. Que mau gosto!
Seja como for, num continente em que curandeiros e feiticeiros são consultados antes dos médicos (muitas vezes os hospitais servem apenas para dar a extrema unção aos moribundos) não é mau de todo pensar na promessa de erecção, digo, felicidade eterna no momento da partida.
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FROTEIRA ÁFICA DO SUL - BOTSWANA





Após umas cinco horas de viagem rumo ao Botswana, Pina lembrou-se que lhe faltava o registo de propriedade automóvel.Poderíamos ser forçados a voltar para trás e prosseguir viagem no dia seguinte. Aterrorizei.
Ainda assim, confiei que o optimismo pode fazer milagres e assim foi. Passamos sem stress. Pelo menos em relação ao documento do carro.
Já a deixar o lado sul africano da fronteira, revistaram a viatura e verificaram que seguiam a bordo três portáteis e outras tantas maquinas fotográficas, além de telemóveis. Forçaram-nos a voltar e a registar tudo isso. Não nos agradou a ideia, mas garantiram-nos problemas no posto fronteiriço do Botswana, caso não o fizéssemos. Anuímos. Não tínhamos alternativa.
Pior foi quando pedimos o livro dos registos. Só havia um e estava já a ser utilizado por outro casal. Acabamos por esperar uns 15 minutos. Queriam também o número de série de cada equipamento registado. Imaginamos o que seria se tivéssemos chegado depois de um autocarro de turistas japonenses. Teríamos de pernoitar na fronteira, certamente.
Resolvido o imbróglio, siga para o Botswana. Bem dispostos, lá preenchemos todos os requisitos até que obrigaram a Estela, a primeira a apresentar o passaporte e o talão de emigração, a preencher o local de estadia no país. Dissemos e insistimos que ainda não tínhamos, que deveríamos procurar mal entrássemos no país. Não quis saber, sem isso não poderíamos entrar. Atónitos com tal atitude da pouco simpática senhora, respondemos de pronto: a Estela foi buscar uma das 1001 brochuras de estadia no posto fronteiriço, escolhemos o melhor hotel e já está. Nas “barbas” dela. “Gaborone Inn”. Surpreendentemente, nem um comentário. Pelos vistos, assim já está tudo bem.
Ainda tínhamos de tratar de papelada para circular com o carro. Mesmo precisando de apenas uns dois dias para atravessar o país rumo à desejada Namíbia, fomos forçados a comprar três distintas autorizações de circulação que continuamos sem entender muito bem. Ainda bem que este é tido como o país melhor organizado de África. Burocracia é coisa que não os atrapalha. Afinal, sempre dá emprego a mais uns quantos.
No último controlo, nem nos pediram passaporte. Perguntaram por equipamentos de luxo, dissemos que os tínhamos registado (só não dissemos que apenas o fizemos no lado sul africano) e, com aberto sorriso, fomos convicados a entrar no país.
Botswana, here we go!
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Portagem




Numa altura em que as portagens nas SCUT são a habitual novela de verão em Portugal, fui surpreendido pela “taxa” mais invulgar que me recordo nas estradas deste mundinho.
Lá vamos tranquilamente rumo a norte, para o Botswana, quando, subitamente, uma portagem no meio de uma estrada nacional. Estranhei, mas pensei que, a partir desse ponto, iria contar com uma bela autoestrada até a fronteira, embora sem qualquer referência a esse respeito nos nossos mapas.
Cerca de sete euros foi o valor pago. Ultrapassada a portagem, a estrada continuou como se nada fosse, com múltiplas saídas para inúmeras localidades, com a duvidosa qualidade de até então. No mínimo, invulgar. Faltou tempo para investigar. Se o regresso da Namíbia for feito pelo mesmo caminho, a pergunta já está na ponta da língua.
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terça-feira, 13 de julho de 2010

Final Campeonato do Mundo2010




Até hoje, o mundial de futebol apenas por uma vez tinha sido realizado fora da Europa ou América do Sul, continentes expoente máximo da modalidade. Foi em 2002 com a organização mista Coreia do Sul e Japão.
Desta vez coube à África do Sul o complicado repto de organizar o segundo maior evento do planeta, a seguir aos Jogos Olímpicos.
Se descontarmos naturais falhas tipicas de um povo com uma cultura e forma de estar relaxadamente diferentes – para não falar das irritantes vuvuzelas que, espero, descansem em paz para todo o sempre – o país saiu-se melhor do que o esperado. Houve festa, não se registaram problemas de segurança de maior e a competição foi razoável, apesar do domínio do futebol “cuidadoso”, menos ofensivo.
A cerimónia de abertura foi estimulante, muito bela, apenas manchada pela ausência de ultima hora de “Madiba”, pois nesse mesmo dia faleceu uma bisneta em acidente automóvel.
A poucos dias de completar 92 anos, o Nobel da Paz Nelson Mandela acabou por satisfazer muitos milhões por todo o planeta e apareceu no Soccer City de Joanesburgo para uma breve aparição: não falou, mas acenou e sorriu imenso. Foi saudado nas bancadas com um contínuo “Madiba, Madiba, Madiba”, forma pela qual é carinhosamente tratato.
Mais uma vez, foi lindo estar presente. Uma cerimónia com muita cor, ritmo, música e dança, espelhando o que de melhor tem o Continente. Ainda assim, diria que, em gíria futebolística, levou 7-1 do que vi em Pequim2008, mas trata-se de realidades completamente distintas.
Ke Nako!! 

PS: Espanha venceu bem.
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A Pianista



O pequeno almoço já estava tomado, as ultimas palavras de agradecimento trocadas quando Rosa Maria me levou a ver a sua salinha. Fotografias antigas, trabalhos diversos feitos pelas suas delicadas mãos e mais um piano, além daquele que está “acabado” na sala principal.
- “A Patrícia costumava tocar, mas já há muito que não o faz. Adorava ouvi-la…”, lamentou-se, saudosa.
Num abrir e fechar de olhos, a jovem médica satisfez a vontade da progenitora e já estava sentada e concentrada a tentar recordar oito anos de lições de piano. Hesitante, foi experimentando umas notas que a voracidade da minha máquina fotográfica ia inibindo.
- “Assim fica mais complicado. É difícil tocar enquanto estamos a ser gravados”, queixou-se, com um sorriso.
Desculpei-me, mas estava siderado com o momento e foi complicado parar. Apenas deu para disfarçar. Não podia haver melhor forma de me despedir da família Jardim, que me fez sentir completamente em casa. Abriu-me as portas sem me conhecer e em dois dias de convívio estabeleceu laços que sei vão perdurar, com novos episódios no Porto.
Sentada ao piano, Patrícia, singela, feminina, delicada, foi igual a si e ao momento: belo e cativante.
Mais uma vez, obrigado a todos.
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segunda-feira, 12 de julho de 2010

Guisado




- “Vais com o Anacleto até à casa do Miguel, pois há lá um ensopado de borrego que não podes perder. Eu vou ao trabalho e já lá apareço”.
A instrução de Gabriel era simples e lá fui. 15 minutos depois de deixar o pouco seguro terminal de táxis – à noite, é ainda mais perigoso – já estava na nova casa do Miguel, mais um madeirense bem sucedido na África do Sul. Estava lá o irmão, mulher, filhos e amigos. Aquele petisco foi um mimo. Um “must”.
Entretanto, saímos e encontramos outros madeirenses que já sabiam da minha existência.
- “Então você é que é o jornalista que nos veio visitar? Está a gostar disto? O que achou da seleção? O Queiroz vai embora? O Cristiano Ronaldo foi uma decepção. Estamos todos muito tristes com a selecção, pois fizemos milhares de quilómetros para os ver e nem sequer se dão ao trabalho de nos acenar”.
A lenga-lenga parecia sempre a mesma e as minhas respostas também não variavam muito.
No meio deste regresso a “casa” foi possível sentir a humildade, franqueza, saudade e indomável vontade de ajudar revelada por todos os emigrantes. Até para me arranjar boleia no dia seguinte para Joanesburgo (já só tinha autocarro às 04:00 ou à tarde, o que me impediria de ir ao Soccer City ver a final do Mundial2010) se desdobraram em contactos na comunidade. Todos foram de inexcedível delicadeza e atenção para comigo, algo que me sensibilizou profundamente.
- “Vai ter de voltar, mas com mais tempo”, ouvi regularmente. Certamente que voltarei!
O jantar estava óptimo, os portugueses que conheci foram excelentes e ficou o desejo de prolongar a estadia, algo impossível derivado do programa de festas para os dias que ainda me restam em África. Santos e o seu sobrinho da Venezuela levaram-me até ao palco da final onde, cada um, pagou 650 dólares para comprar um bilhete na candonga e ver o jogo. Grandes malucos!!
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XXX para a Polícia



Era hora de voltar. Pensei em regressar diretamente de Maseru para Joanesburgo, mas a família Jardim convenceu-me a reencontra-la em Bloemfontein. Tudo, menos um sacrifício. Negociei transporte para a fronteira, atravessei-a a pé e do outro lado estavam táxis coletivos para vários destinos. Garanti lugar no próximo a sair para Bloemfontein e, como habitualmente em África, esperei que enchesse. Só depois partiu. Vá lá, não sequei mais de uma hora e pouco.
Ia na última fila de um veículo de 12 lugares apinhado de sacos e malas que me retiravam totalmente a vista para a frente. Aliás, sentei-me e não mais consegui mover os pés. O que vale é que a viagem não durou mais de duas horas.
Antes de partirmos, uma discussão em dialecto local que não decifrei, mas no fim acabou tudo em bem – pelo menos penso que sim – e estávamos prontos para a viavem.
A alta velocidade, voávamos para Bloemfontein quando o excesso de velocidade motivou uma ordem de paragem por parte da polícia. Demorar a sair da fronteira tinha sido stressante, perder mais tempo com problemas com a polícia não melhorava o cenário.
A minha apreensão – não tinha pressa, mas gostava de sair do veículo para me conseguir mover, pois todo o corpo parecia já dormente – não tinha paralelo no motorista, que saiu com estilo e grande autoconfiança. O carro da polícia deslocou-se uns 300 metros até nós e o agente saiu da viatura, dirigindo-se à nossa.
Para meu espanto, o nosso motorista tratou de relevar a situação de forma muito prática. Abriu as calças, começou a urinar junto à parte traseira da carrinha e assim, apenas com a cabeça virada para trás, começou a conversa com o agente.
A cara do polícia não augurava bom resultado, mas a verdade é que três minutos depois o motorista, já com “ela” recolhida, voltou à viatura e arrancou.
- “Como conseguiste safar-te da multa”, questionei-o, já ao terminal de táxis no destino.
- “Está sempre tudo controlado”, sorriu, acabando pura e simplesmente com a conversa.
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domingo, 11 de julho de 2010

King Letsie III of Lesotho

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Good Times




Quando Gabriel Jardim me deixou no meio da confusa Maseru, era evidente o seu ar de preocupação.
- “Não viu já o suficiente? Era melhor voltar connonsco”, insistiu, com ar claramente apreensivo.
Eu também insisti. Estava irredutível. Umas horas na capital do Lesoto não me satisfaziam e precisava de tempo para perceber um pouco melhor o “Reino das Montanhas”.
70 euros por um quarto num país pobre pareceu-me um exagero e decidi meter-me ao caminho a procurar uma alternativa ao Lancer Hotel. Mochila às costas e toca a procurar. Em meia hora tinha encontrado um local muito aceitável e por apenas 30 eurónios. O tempo rendeu.
De volta ao centro, aceitei a sugestão e fui jantar ao Good Times café. Era cedo, ainda, mas as mesas já estavam todas ocupadas. Maioritariamente por pessoas que já estavam na “noite”, apesar de serem ainda 19:30. Felizmente, em pouco tempo arranjei mesa e com maior rapidez decidi o jantar: truta com arrozinho e legumes.
- “Posso sentar-me contigo?”, perguntou-me quase de imediato uma jovem. Ainda nem tinha respondido quando se juntou uma amiga. Discutiram. Mas eu adiantei trabalho.
- “Nunca fiz sexo com estranhas e jamais paguei. E não vou mudar de atitude. Se ainda estiverem interessadas em falar, podem sentar-se”.
Sorriram, chamaram-me “tolo” e sentaram-se mesmo. Mal o fizeram, uma terceira amiga (um “Ferrari”, comparada com as antecessoras) juntou-se ao grupo. Todas sorridentes. Começaram a trocar “acusações” sobre quem tinha namorado ou não. Venceram os argumentos da solteira menina de “alta celindrada”.
De forma inesperada – bom, sendo o único branco no bar, talvez não fosse assim tão grande a surpresa – mais “indígenas” vieram falar-me. Mulheres o homens. Apresentaram-se. Pediram-me número de telemóvel. Deram-me o deles. “Entrevistaram-me” sucessivamente. E iam-me apresentando aos amigos.
Em pouco tempo, já me cruzava com estranhos que me cumprimentavam pelo nome. E cada um com o cumprimento de mãos mais original que se possa imaginar. Se tiver memória, escreverei um tratado sobre o assunto.
Mesmo com dinheiro contado, mais do que uma pessoa ofereceu-me bebida. Recusei. E ofereceram-se para me mostrar a cidade.
Um povo bem disposto, dócil. Encarna o verdadeiro espírito de África. Um local a revisitar, sem dúvida. Até porque tem paisagens fantásticas que não tive a oportunidade de contemplar.
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Praga




E se vos contasse uma história em que “praga” era a palavra mais utilizada? Chegariam lá? Precisavam de mais pistas? Humm… Ok. É justo.
O país é o Lesoto, mas garanto-vos que esta praga também está em Portugal. Aliás, ao que vejo, não há país onde não espalhe os seus tentáculos. É tudo igual.
A mesma “qualidade”, os mesmos produtos, o mesmo comportamento: trabalho, dinheiro. Trabalho, dinheiro. Sem fim. Não há feriados, fins de semana ou dias santos que resistam à sua voracidade de “graveto”. Santo é cada dia em que mais uns $$$ entram no cofre.
Este perfil colide abruptamente com o africano, bem mais relaxado e sem cuidar ou interessar pelos bens alheios. Aliás, nem alheios nem os seus. Importante é assegurar algum que dê para o dia. Com sorte, para o próximo também há e, se bem gerido, o que é coisa rara e quase anti-cultural, para a semana seguinte.
Os chineses estão em todo o lado. Deus, se existe, deve invejar a sua omnipresênça. Eu invejo!
As lojas são passadas a papel químico. Vendem todos o mesmo. Um milhão de produtos sem utilidade duvidosa, de frágil qualidade, a preços convidativos. Imbatíveis mesmo. As multinacionais ainda têm esquecido este país e Maseru, a capital, não ostenta o símbolo de qualquer marca conhecida. Mas isso não impede que haja lojas a vencer o mesmo material desportivo e de montanha a preços mais inflacionados do que em Portugal. Mas isso é outra história.
Um africano sem abrigo brinca com uma empregada igualmente africana de uma loja chinesa. A jovem alinha na folia e ouve uma reprimenta de primeira ordem. A chinesa fica sem pulmões de tanto berrar. Até eu me assusto. Pensei que tinham acabado de matar alguém.
Indiferente, a “vítima” vê-me entrar e segue-me. Pergunto-lhe se gosta de trabalhar para chineses. Encolhe tranquilamente os ombros. Sorri. Diz que lhe é indiferente.
- Não ligo. Assusta mais os clientes do que a mim”, e solta uma descontraída gargalhada.
“Hakuna Matata”, penso eu.
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