segunda-feira, 12 de julho de 2010

Guisado




- “Vais com o Anacleto até à casa do Miguel, pois há lá um ensopado de borrego que não podes perder. Eu vou ao trabalho e já lá apareço”.
A instrução de Gabriel era simples e lá fui. 15 minutos depois de deixar o pouco seguro terminal de táxis – à noite, é ainda mais perigoso – já estava na nova casa do Miguel, mais um madeirense bem sucedido na África do Sul. Estava lá o irmão, mulher, filhos e amigos. Aquele petisco foi um mimo. Um “must”.
Entretanto, saímos e encontramos outros madeirenses que já sabiam da minha existência.
- “Então você é que é o jornalista que nos veio visitar? Está a gostar disto? O que achou da seleção? O Queiroz vai embora? O Cristiano Ronaldo foi uma decepção. Estamos todos muito tristes com a selecção, pois fizemos milhares de quilómetros para os ver e nem sequer se dão ao trabalho de nos acenar”.
A lenga-lenga parecia sempre a mesma e as minhas respostas também não variavam muito.
No meio deste regresso a “casa” foi possível sentir a humildade, franqueza, saudade e indomável vontade de ajudar revelada por todos os emigrantes. Até para me arranjar boleia no dia seguinte para Joanesburgo (já só tinha autocarro às 04:00 ou à tarde, o que me impediria de ir ao Soccer City ver a final do Mundial2010) se desdobraram em contactos na comunidade. Todos foram de inexcedível delicadeza e atenção para comigo, algo que me sensibilizou profundamente.
- “Vai ter de voltar, mas com mais tempo”, ouvi regularmente. Certamente que voltarei!
O jantar estava óptimo, os portugueses que conheci foram excelentes e ficou o desejo de prolongar a estadia, algo impossível derivado do programa de festas para os dias que ainda me restam em África. Santos e o seu sobrinho da Venezuela levaram-me até ao palco da final onde, cada um, pagou 650 dólares para comprar um bilhete na candonga e ver o jogo. Grandes malucos!!

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