sábado, 17 de julho de 2010

JIMBRAS on the way




Tínhamos percorrido já demasiados quilómetros de estrada no Botswana quando decidimos que naquela noite já íamos dormir à Namíbia. Melhor, à capital Windhoek, ainda a umas três horas e tal da fronteira.
Chegar a uma cidade desconhecida, completamente deserta à noite e à procura do Hotel Safari sem sequer ter o endereço não é boa politica. Por isso, mal vimos a esquadra da polícia, nem hesitamos.
- “Não é deste lado da cidade, mas não é complicado chegar lá”, disse-me a ensonada agente de serviço, indicando o caminho no mapa.
Quase que em simultâneo, o verdadeiro JIMBRAS, que dormia num banco, salta para a nossa companhia e dá-me uma palmada nas costas.
- “Vamos. Eu sei o caminho!”.
Face à cara da agente, logo percebi que se tratava de um “personagem” que convinha ter algum cuidado.
- “Relaxe, não é necessário. Com estas indicações chegaremos lá”, respondi-lhe, e saí da esquadra.
O Pina ainda ficou a trocar umas impressões com a senhora agente e o jimbras colou-se. Quando dei por ela, a Estela já estava a chegar-se para um canto do carro, para o nosso “convidado” entrar.
- “Não te trazemos de volta nem te damos dinheiro. Mesmo assim, queres vir?”, dissemos-lhe.
- “Sem problemas, vivo pertinho do hotel”, convenceu-nos.
Chegados ao destino, a primeira coisa que tão invulgar figura fez (sempre munido de uma malinha com um alegado portátil) foi pedir-nos dinheiro. Insistentemente. E a queixar-se precisamente de tudo aquilo para o que o tínhamos explicitamente avisado.
Ainda tentou fazer barulho na receção, que queria um quarto – pago por nós, imagine-se!! – mas levou com um esclarecedor NÃO e acabou por desistir. Entretanto, perdemos-lhe o rastro.
No dia seguinte, ainda o vi na rua. Com mos mesmos trages, a mesma malinha. Não me conheceu, mesmo tendo falado com ele. A foto documenta o momento. Nesta segunda conversa, voltou a dizer que era profissional da comunicação social.

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