domingo, 11 de julho de 2010

Good Times




Quando Gabriel Jardim me deixou no meio da confusa Maseru, era evidente o seu ar de preocupação.
- “Não viu já o suficiente? Era melhor voltar connonsco”, insistiu, com ar claramente apreensivo.
Eu também insisti. Estava irredutível. Umas horas na capital do Lesoto não me satisfaziam e precisava de tempo para perceber um pouco melhor o “Reino das Montanhas”.
70 euros por um quarto num país pobre pareceu-me um exagero e decidi meter-me ao caminho a procurar uma alternativa ao Lancer Hotel. Mochila às costas e toca a procurar. Em meia hora tinha encontrado um local muito aceitável e por apenas 30 eurónios. O tempo rendeu.
De volta ao centro, aceitei a sugestão e fui jantar ao Good Times café. Era cedo, ainda, mas as mesas já estavam todas ocupadas. Maioritariamente por pessoas que já estavam na “noite”, apesar de serem ainda 19:30. Felizmente, em pouco tempo arranjei mesa e com maior rapidez decidi o jantar: truta com arrozinho e legumes.
- “Posso sentar-me contigo?”, perguntou-me quase de imediato uma jovem. Ainda nem tinha respondido quando se juntou uma amiga. Discutiram. Mas eu adiantei trabalho.
- “Nunca fiz sexo com estranhas e jamais paguei. E não vou mudar de atitude. Se ainda estiverem interessadas em falar, podem sentar-se”.
Sorriram, chamaram-me “tolo” e sentaram-se mesmo. Mal o fizeram, uma terceira amiga (um “Ferrari”, comparada com as antecessoras) juntou-se ao grupo. Todas sorridentes. Começaram a trocar “acusações” sobre quem tinha namorado ou não. Venceram os argumentos da solteira menina de “alta celindrada”.
De forma inesperada – bom, sendo o único branco no bar, talvez não fosse assim tão grande a surpresa – mais “indígenas” vieram falar-me. Mulheres o homens. Apresentaram-se. Pediram-me número de telemóvel. Deram-me o deles. “Entrevistaram-me” sucessivamente. E iam-me apresentando aos amigos.
Em pouco tempo, já me cruzava com estranhos que me cumprimentavam pelo nome. E cada um com o cumprimento de mãos mais original que se possa imaginar. Se tiver memória, escreverei um tratado sobre o assunto.
Mesmo com dinheiro contado, mais do que uma pessoa ofereceu-me bebida. Recusei. E ofereceram-se para me mostrar a cidade.
Um povo bem disposto, dócil. Encarna o verdadeiro espírito de África. Um local a revisitar, sem dúvida. Até porque tem paisagens fantásticas que não tive a oportunidade de contemplar.

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