quarta-feira, 30 de junho de 2010

GAME OVER





Citação:
"Portugal abandonou o Mundial2010 deixando um rastro de palidez, defraudando as expectativas dos que apostavam na qualidade do seu jogo e futebolistas, especialmente o “capitão” Cristiano Ronaldo, que não “apareceu” na África do Sul.
Na altura do sorteio da fase final, em dezembro, muitos vaticinaram o que veio a suceder - segundo lugar no Grupo G atrás do Brasil e afastamento pela campeã europeia Espanha nos oitavos de final – mas a verdade é que o desempenho luso soube a pouco e a seleção regressa a casa sem glória, com toda a justiça e naturalidade.
A equipa de Carlos Queiroz colocou-se em bicos de pé na altura de traçar objectivos ambiciosos – quase todos os 23 convocados falaram no título ou meias-finais – porém quando teve adversários à altura das suas aspirações, não teve estofo nem ambição para os bater.
Bastava um triunfo contra um destes “grandes” mundiais e tudo poderia eventualmente ser diferente, mas provavelmente não muito, pois a equipa nunca encheu as medidas, exceptuando o invulgar 7-0 à Coreia do Norte, mais fruto do desnorte asiático do que de um deslumbrante conjunto português.
O habitual descontrolo verbal dos atletas na definição de metas acabou por virar-se, mais uma vez, contra a equipa na hora de fazer o balanço de nova participação que soube a pouco.
Portugal tem merecido a admiração do mundo pela beleza do seu futebol ofensivo, no entanto a verdade é que se apresentou neste mundial com clara tração atrás: Queiroz quis começar a construir a equipa pela defesa, área em que até foi forte, mas esqueceu-se de que sem golos as vitórias dificilmente surgem.
Contra adversários do seu “tamanho”, os “navegadores” retraíram-se quando deviam fazer peito e ficaram em branco frente à Espanha, Brasil e Costa do Marfim: pior ainda, é que poucas situações de perigo criou, deixando a clara impressão de ter estado bem longe de vencer qualquer um desses desafios.
A maior frustração, principalmente para Eduardo, é ter sido afastado da prova ao primeiro golo sofrido: o problema é que na fase a eliminar não há mesmo margem para erros e os detalhes decidem.
Muitos olham para Cristiano Ronaldo como o D. Sebastião da seleção, só que o melhor do mundo em 2008 e segundo em 2009 nunca esteve à altura dos desafios e responsabildiades, impotente para dobrar o Cabo da Boa Esperança lusitano na prova e terminando o Mundial sem verdadeiramente cá “estar”.
O “capitão”, cujo estatuto alguns contestam, surgiu como a estrela mais mediática do Mundial2010, batendo a concorrência, porém, na seleção de Portugal, continua a ser uma sombra do que tem sido no Real Madrid e foi no Manchester United.
O mais caro futebolista da história marcou apenas dois golos nestes dois anos da era Queiroz e, desde que brilhou no Euro2004, tem vindo a descrescer de produção em cada fase final.
A presença lusa ficou igualmente marcada por “casos”, que começaram no afastamento do lesionado Nani que em Lisboa disse que numa semana estaria recuperado, seguindo-se Deco a contestar as opções de Carlos Queiroz após o empate na estreia com a Costa do Marfim.
Quando chegou o fim da linha de Portugal no Mundial2010, Cristiano Ronaldo também não assumiu o estatuto e muito menos as responsabilidades, “chutando” para Carlos Queiroz as justificações da eliminação.
Entre as deceções de Cristiano Ronaldo, Simão, Deco (falhou dois jogos por lesão) ou Liedson e as confirmações de Tiago, Raul Meireles e os centrais Ricardo Carvalho e Bruno Alves, fica a certeza de que Eduardo é um guarda-redes à altura de Portugal e que outro “plebeu”, Fábio Coentrão, acabou com o eterno problema de ausência de um lateral esquerdo de classe mundial.
Até porque há uma geração em fim de linha, agora é tempo de renovação na seleção, ficando por saber se a regeneração do futebol português vai prosseguir sob a alçada de Carlos Queiroz".
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terça-feira, 29 de junho de 2010

Mama África





Publicidade à parte, Mama África é um dos locais OBRIGATÓRIOS para quem tem o grande privilégio ou excelente ideia de visitar a Cidade Cabo, certamente a mais bela da África do Sul. Já por lá tínhamos passado três vezes nesta incursão na zona austral de África durante o Mundial210 e obtivemos sempre a mesma resposta: “Tem reserva? Então volte outro dia”.
Frustrado, colecionei o mesmo numero de cartões por cada tentativa falhada. Até que me decidi a ligar e marcar mesa. Bingo! Conseguimos para o próprio dia, algo impossível ao fim-de-semana. Era segunda-feira...
Marquei jantar para as 21:30, liguei a adiar para as 22:15 e chegamos perto das 23:00. Pensei que a cozinha já estava fechada. Afinal o problema foi que já não tínhamos mesa. Estava tudo cheio. Recordo que aqui, na África do Sul, janta-se habitualmente entre as 17:00 e 19:00. De qualquer forma, a simpatia dos funcionários desbloqueou a situação e em cinco minutos já estávamos confortavelmente instalados.
A excelente musica ao vivo (a banda é fenomenal e os ritmos quentes africanos impedem-nos de ficar sentados) é um dos condimentos diários do espaço, que é restaurante e bar.
Foi aqui que experimentei carne de crocodilo, que saboreei mais um bom vinho, que dancei e, em final de noite, até fui abordado por uma “quenga”, a quem dei “troco” (leia-se, simpatia) durante 10 minutos, até lhe dizer que perdia tempo e dinheiro comigo.
A meia-luz numa decoração em típica selva africana – com palhotas e exemplares de animais selvagens nas paredes e tetos – a juntar à musica, espírito de festa e “calor” dos que aqui vêm, fazem do Mama África uma experiencia memorável.
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Gelo



Eis que quando pensamos ter visto de tudo, há sempre margem para a surpresa. Mesmo que em pequenos gestos do dia a dia. Tínhamos voltado ao elegante Balducci (restaurante italiano no turístico, mas cativante Waterfront) para novo suculento jantar. Decidi atacar, novamente, uma pasta com frutos do mar. Uma delícia. Mesmo! Obviamente, até porque é picante, só poderia ser regada por um bom vinho local. O pedido foi feito – “mas tem de ser geladinho”, vincámos – e, acreditem, o “desconto” nos nossos bolsos não foi pequeno. Mas há momentos que merecem cada “rand”. À “patrão”, satisfeitos por ter vencido mais um dia de desafios vários no trabalho, vamos a fazer o brinde e… o vinho não estava mais do que simples e desconsoladoramente “fresquito”. Entramos em pânico 
A simpatia de Bo desarmou-nos para qualquer protesto. Então, verdeiros gentlemen lusos, ainda pedimos gelo, para refrescar consideravalmente o resto do néctar ainda na garrafa. Minimizar o prejuízo, claro está. Minutos depois, eis que somos novamente surpreendios pela sorridente BO, que nos deixou, por breves momento, sem reacção.
Em vez de nos trazer o “frappé” replecto de água em estado cubicamente sólido, trouxe um copo de “caipirinha” replecto de cubos de gelo. Pois…
Querida BO, no curso de etiqueta não te ensinaram que em Portugal somos uns esquezitinhos de primeira e não misturamos água com o mais precioso dos néctares?
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Viva o Futebol! Viva a Argentina!





O nosso amigo Paulo (Sapo) caiu-lhe em cima como um verdadeiro predador. Pronto para a “guerrinha”, qual comando de G3 em punho, os disparos sucediam-se a um ritmo hiper-vertiginoso. Com orgulho, o nosso companheiro exibiu as centenas de fotos que tirou desta musa no primeiro jogo da Argentina. Consta que os “clicks” já ultrapassaram o milhão. Consta também que ainda não sabe o resultado do desafio, pois não tirou os olhos de bancada. Pudera!!
Por falar em tirar… eis que Pamela David – uma “coelinha” do país das pampas – decidiu mostrar todo o apoio à seleção de Maradona, Messi & Cia. Pena que em Portugal as irritantes vuvuzelas andem na boca de todos os “cromos” e esta moda “Pamela David style” não seja seguida fielmente pelas nossas esbeltas fãs.
Daqui o meu sentido voto de protesto! Entretanto, duas fotos em que vos desafio a encontrar as “10 diferenças”
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Wild Experience



Estava a ponto de, finalmente, entrar no doce mundo dos sonhos, quando a minha tranquilidade foi abruptamente interrompida.
Era tarde, estava exausto, cansado, exaurido, pelo que apenas conseguia vislumbrar, no máximo, por metade de uma vista. De escova de dentes em punho, atirava-me convictamente aos excessos (leia-se restos de comida) de mais um dia em que orguhosamente me tratei bem.
De repente eis que… algo de anormal foi detectado. Fiquei incrédulo. Suspenso. Parecia tratar-se de um objeto de dimensões bíblicas!! E, não quero mentir – e muito menos exagerar -, mas parecia que se movia.
Despertei num ápice e, numa reacção imediata e enérgica, degladiei-me com o “estranho” até o retirar do seu covarde esconderijo. Segundos depois, tinha ganho a hércula batalha.
Preparava-me para festejar. Até que olhei, orgulhosamente, para a vítima da minha determinação. Teria, sem exagero uns 10 mm. E tinha, seguramente, um ar selvagem. Só aí percebi que o era de facto. Foi a “wild experience” mais louca em Cape Town. Rebobinando mentalmente o filme do dia, não havia dúvias. Era mesmo o que estava a pensar. Tratava-se de… CROCODILO!!
Era verdade, tinham sido inúmeras as dentadas que lhe tinha encrustrado. Tinha-o dominado com uma verocidade digna de entrar no “top 5” das maiores carnificinas da história.
Apesar da luta que deu, tinha sido transformado em espetada e, garanto-vos, ombreou certamente com aquelas fantástica feitas de polvo ou marisco. Belo crocodido! Deixou saudades… hei-de repetir!
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sábado, 26 de junho de 2010

Horse Riding II – A Dolorosa Experiência



Foi duro, mas descobri, da pior das formas, as desvantagens de trotear. Ou, melhor ainda, de ser um novato nisto de trotear. Não, não me refiro a trotear uma canção. Falo em montar. Não, também não. Não se trata “desse” montar. Refiro-me, tão simplesmente, a andar a cavalo.
O trio-maravilha da Lusa uniu-se no firme propósito de avançar mais uma fase no domínio da arte equestre e a Sarah não teve alternativa a aguentar-se com a nossa ousadia.
Pela parte que me toca, no doloroso, mas estimulante balanço final devo confessar algumas feridas de “guerra”. É verdade que o terreno era algo acidentado, mas presumo que o problema esteja mais relacionado com a minha requintada arte de montar.
Entusiasmado, lá “piquei” o cavalo a acelerar e o Rubi fez-me a vontade. A excitação inicial rapidamente deu lugar a múltiplos “ui’s”, de cada vez que o meu corpo voltava à sela que entalava os vulgar e carinhosamente denominados “guizos” (a primeira palavra que me ocorreu para prevenir que menores de 21 anos leiam palavras inadequadas neste blogue).
“OOOOHHHHHHHHHWWWWW” foi a palavra que Rubi diversas vezes me ouviu vociferar com a determinação de quem tem algo dolorosamente “encravado”. À terceira ou quarta tentativa, decidi a típica “fuga para a frente”. Acho que será menos doloroso subir um degrau nesta arte até ao desenfreado galope. Duvido que seja tão traumatizante.
Entretanto, não posso deixar de recordar a beleza do cenário (desta vez saímos da quinta) e a curiosidade da nossa caminhada ter sido acompanhada pelos cavalos que não estavam selados, sempre, sempre atrás dos seus amiguinhos equídeos que tinham a honra de transportar tão ilustres figuras lusitanas.
Saliento ainda o facto da nossa caminhada de uma hora ter sido seguida com curiosidade por uma série de babuínos. Sem duvida, uma sensação sui generis ter macacos a seguir os nossos passos, espreitando, curiosos, a cada árvore.
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quinta-feira, 24 de junho de 2010

TRISTES FIGURAS



Mas a história não acaba aqui: há sempre “tugas” capazes de nos envergonhar. Quem vasculhe o lixo do vizinho (restos, falo de restos) para o reciclar numa história fantasiada que depois conta orgulhosamente aos amigos como um feito heroico.
Depois de circular e arejar noutras paragens do amplo, mas apinhado bar, deparo-me novamente com a predadora… nos braços de um tuga, um “novo rico” com um sorriso de orelha a orelha e mãos ávidas de toque. Realmente, não faltava superfície para explorar…
Mais ou lado, outros “chaços” (não estou a avaliar a personalidade das senhoras, que, aliás, me pareceram simpáticas, mas apenas a sua atitude e aparência exterior) também surgiam “enrolados” nos afáveis braços de mais tugas, alguns já visivelmente alcoolizados. No meio daquela multidão, eram os únicos a afiambrar-se em cenas consideravelmente tristes e que motivavam o riso e chacota dos demais.
Quem não tinha direito a saborear tão exóticas companhias, sorria de forma cúmplice para os amigos, certamente casados/comprometidos, como que aprovando a anormalidade que estavam a cometer. Belo, sem duvida.
Espero que nada disto seja genético, pois estes tuguinhas fazem realmente cada figurona….
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HELP!!!

E foi no fantástico bar anteriormente mencionado que fui atacado por uma “local”. Valeram-me intensos esforços para evitar ser violado por uma “jovem” algo mais baixa do que eu, mas com o triplo (a caminhar para o quadruplo) da minha largura (a medida não depende da sua robustez, mas do meu atual momento de “forma”). Ortega (Lusa), Guerrinha e João (Sapo) e Pataco (FIFA) não paravam de rir. Quando mais precisava dela, a guarda pretoria baldou-se olimpicamente. Mas virá o momento de dar “troco”.
Depois de me entalar com a sua majestosa “bunda” contra os restantes clientes (o bar estava à pinha, não tinha para onde fugir), o meu pescoço, peito e cabeça foram vítimas da sua voraz língua. Não me tirou nada, mas vontade não lhe faltava. Entre o riso, incredulidade e desespero, nem sei como foi possível safar-me. Mas quando tentou morder-me (não sei se ela estaria a pensar noutro verbo) o…, em plena pista, achei que a sua ousadia e estupidez tinham ultrapassado claramente o bom senso e arranjei “forças” para me livrar dela. Custou, mas acabou por dar-me o tónico decisivo.
Ainda voltou à carga três ou quatro vezes, mas estava vacinado e mantive sempre a distância. Homem prevenido…
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Long Street



Aqui é onde os turistas acabam a noite. Normalmente, começam pelo Water Front – enorme complexo na marina com dezenas de restaurantes para todos os gostos e… carteiras – e terminam na zona de Long Street, polvilhada de bares. E comércio, para quem a percorre durante o dia.
Dos vários restaurantes experimentados, apenas memoráveis recordações. Gostei do belga em que fomos degustar o combinado de mariscos “à lá 7-0 sobre a Coreia do Norte”, mas certamente que o melhor jantar foi o primeiro, no Blue Dolphin. Nada como comer um bom peixinho (Que saudade!!), acompanhado de excelente vinho sul africano (não há dinheiro que pague certos prazeres) e uma excelente banda jazz a colorir a noite. Perfect!!
Já na Long Street, destaco a véspera do desafio com os temerários do “querido líder” Kim Jong-il: o The Dubliner estava à pinha, com excelente musica ao vivo e… poucos espécimes femininos. Snifs… Nem tudo pode ser perfeito.
O ambiente era claramente futebolístico, com alegremente bêbados representantes de várias nações, com destaque para Portugal, Holanda e Inglaterra. Além dos “bafana bafana”, claro.
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Cape Town




Os guias turísticos não enganam: a Cidade do Cabo é MESMO diferente, especial. Qualquer que seja o caminho de entrada no burgo onde Bartolomeu Dias andou a fazer das suas, é fácil perceber que nos vamos enamorar. E não nos enganamos.
A cidade é “limpa”, tem luz, vida, arquitetura arrojada ou tradicionalmente cativante. Mas sempre arejada, respirando liberdade. Sobram os bares recomendáveis ou os restaurantes que fariam moda em qualquer lugar do planeta.
Ternurento ou rebelde, o mar afaga-lhe a face, refresca-a. A montanha é onde repousa e desperta, embalada por uma imensidão de estrelas.
Não é à toa que ao longo dos anos são milhões os que a visitam e prometem voltar. Também eu o anuncio. E é já para a semana! Isto é, com o segundo lugar de Portugal no Grupo G do Mundial  Sim, o meu patriotismo não vai ao ponto de preferir vencer o Brasil e jogar na pouco aconselhável Joanesburgo. Quero voltar ao Cabo! Como tal, desejo um empate no desafio entre “compadres”.
Sobre o magnífico (embora turístico) complexo Water Front e a agitada e diversa Long Street falarei depois.
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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Sorry, Lu You

- “Sou uma viciada em trabalho. Não tenho férias. Mas adoro o que faço”, disse, a certo momento, Lu You.
A jovem é repórter da CCTV, a estação de televisão oficial da China. Enquanto eu lhe perguntava novidades do seu país, Lu You desdobrava-se em perguntas sobre a seleção de Portugal, revelando grande preparação e profissionalismo sobre o tema.
Cristiano Ronaldo ia falar e ela também quis saber curiosidades sobre a “estrela” lusa. Disse-lhe que não tem feito muito na seleção, que há 16 meses que não marcava e que o único “tento” na era Queiroz tinha sido de penalti e num jogo amigável.
A certa altura, diz-me: “O Messi marcou”.
Eu, entretido a escrever a conferencia do Carlos Queiroz, e sem me recordar que a Argentina não estava a jogar, anuí com a cabeça e sorri.
Minutos depois, Lu You, destemida, pede o microfone e desafia Cristiano Ronaldo.
- “O Messi já marcou, está na hora do Cristiano Ronaldo marcar também?”.
O “puto” riu-se e atirou de pronto: “Só se marcou no Barcelona”.
A gargalhada foi geral. Centenas de repórteres.
Messi efetivamente não marcou. E toda a confusão se deveu a uma simples questão de entoação. Eu entendi que ela me estava a comunicar que Messi tinha marcado, ela julgou que eu entendi que me tinha feito uma pergunta. Com essa nuance Lu You acabou alvo de alguma chacota, tendo mesmo sido, no final, aconselhada pelo Media Officer da FIFA a prepara-se melhor para as conferencias de imprensa.
Ups… Sorry, Lu You!
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domingo, 20 de junho de 2010

Verão vs Inverno




Pois é, continua a haver muita malta que desconhece que no hemisfério sul é inverno (sim, igual ao nosso), que é exatamente o oposto ao que se vive agora mesmo em Portugal, um solarengo verão.
Curiosamente, aqui o sol também tem sido uma presença constante, no entanto os seus raios estão longe de nos abraçar o suficiente para que aqueçamos. Há dias, a temperatura chegou aos -6º. Os pequenos laguinhos do Green Hills gelaram completamente. O dia desperta com um manto branco. Lindo, mas arrepiante. Enquanto estão na praia, conseguem imaginar esta temperatura?
Os principais momentos críticos do dia são “apenas” dois: acordar/levantar/banho e o chegar a “casa”.
1 – Acordar é geralmente um ato violento, caso seja motivado por um despertador (o que tem sido o caso). O nariz de fora já anuncia um gero “lixado” e quando o resto do corpo sai dos lençóis, a confirmação dói no corpo.
Agora é hora de ir ao banho. O wc está gelado e há que ligar o aquecedor do teto. Acerta-se a temperatura do chuveiro e ZÁS!! A roupa voa e enfiamo-nos no chuveiro. Tudo tranquilo até que chegou a hora de sair. O choque térmico entre o cubículo do chuveiro e o gélido wc é terrível, mas acaba por passar em um par de minutos, quando enfiamos a roupa.
2 – O dia de trabalho foi complicado e o jantar até pode nem ter sido famoso. Quando há tempo para saborear um bom vinho sul-africano, aí as queixas não são tantas. Estamos já algo “anestesiados” contra o frio. No entanto, o gelado (eu sei que não me canso de repetir a palavra, mas, acreditem, faz TODO o sentido) quarto não tem tv e a cama é o único local apetecível. O estranho “aparelhometro” de aquecimento na parede pouco calor irradia. Se é que irradia. Há que ligar o fogão de sala. Mais uma árvore que vai “derreter” esta noite no meu quarto. O cobertor é elétrico, mas isso não dispensa mais dois cobertores na cama.
Que o vosso verão esteja a ser mais pacífico do que o meu inverno.
*** Para os mais distraídos, recordo que este texto (bem como os passados e futuros) foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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sábado, 19 de junho de 2010

Boato ou a “coreiaização” (sim, eu sei, a palavra não existe) da África do Sul



Tinha tudo para ser credível, mas talvez não fosse. Talvez, pois há meio mundo que ainda está confuso. Incluindo eu. A notícia de que quatro futebolistas da Coreia do Norte teriam desertado deixou todos em alerta. De tal forma, que de quase completamente ignorada, a seleção asiática passou a ser a mais desejada e procurada pelos Media internacionais. Pelo menos por um dia.
A cada vez que o frio sol rompe (aqui é inverno, sabiam?), não passam de meia dúzia os jornalistas que seguem os trabalhos da misteriosa Coreia do Norte. Mas a notícia revelada pelo “La Stampa” de Itália deixou todos em alvoroço. E houve romaria. Claro!
À hora da prevista conferência de imprensa em Tembisa, para lá do “judas ass” (em inglês soa menos ordinário, não é?), a mais de uma hora de Joanesburgo, eram mais de 200 os profissionais de comunicação social que se apinhavam à porta do local de treinos.
A abertura dos bem policiados portões motivou uma louca correria a ver quem arranjava um lugar decente na minúscula sala de imprensa, que não tinha mais de 20-30 lugares sentados. Já vi corrida aos saldos menos espalhafatosas.
Em poucos minutos a ilusão cedeu à deceção: ficamos a saber que a conferência de imprensa, marcada pela própria FIFA, tinha sido cancelada. Ficamos todos estupefactos. Ninguém se deslocou aquele fim do mundo para nada. E era devido um esclarecimento.
Valeram os 15 minutinhos de treino à porta aberta. Toca a contar a ver se estão cá todinhos, os 23 futebolistas. 19, 20, 21, 22, 23, 24…. 30… 32… 34… 38… ao todo seriam uns 40 elementos equipados ou com fato de treino a “evoluir” no ervado, algo que em Portugal costumamos chamar de relvado.
Entre os mais de 200 jornalistas, foi impossível confirmar se os alegados quatro desertores estavam entre os presentes. Os cinco presumíveis jornalistas norte-coreanos (há quem jure que são da polícia secreta) presentes no local tiveram súbita amnésia e deixaram de entender ou falar uma palavra que fosse em inglês. Nada que surpreenda.
As nossas expetativas foram frustradas com a anulação da conferência de imprensa, mas foi prometida uma declaração do Media Office da FIFA. Uma satisfação para o sucedido. Saímos para o exterior do estádio, mas mantivemo-nos no interior do complexo, à espera das anunciadas explicações do dito senhor. Nada! Mais uma vez, nada que admire.
Às sucessivas solicitações para chamarem o triste e desaparecido figurante da FIFA, os polícias, movidos por uma estranha atitude quezilenta e intimidatória, começaram a empurrar-nos a fim de sairmos “a bem ou a mal” do recinto.
A força foi usada algumas vezes (mas não passaram de empurrões), bem como a ameaça de partir o material em caso dos profissionais da imagem não abandonassem imediatamente o local.
De forma pouco digna – para uns e para outros – os cães de fila da FIFA e jornalistas lá ficaram separados pelo enorme portão da vergonha. A notícia ecoou, obviamente, em todos os cantos do planeta.
*** Este texto foi (e os próximos continuam a ser) escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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Just Relax…


Sentadinho no aeroporto, aguardo pelo momento de embarque para a Cidade do Cabo. Finalmente, uns minutos sem não pensar no que quer que seja, apenas serenar.
Inicio este texto, pois lembrei-me de todos quantos me disseram que iam ser umas “férias ótimas” no mundial da África do Sul. Tontos, tontos…
Depois de uma curta noite – e mal dormida – ainda não eram 08:00 quando ontem já ia a caminho da misteriosa seleção da Coreia do Norte. O GPS lá funcionou e uma hora e pouco depois já lá estava. Hotel “blindado”, como seria de esperar. Estacionamos do lado oposto e em menos de um minuto já sabia que tinha um português mestre de taekwondo que é amigo de um outro norte coreano que está a servir de cicerone à seleção. Haverá melhor forma de começar o dia de trabalho?
Feita a entrevista, logo depois a “menina” (GPS, com voz sensual) enganou-se e deparamo-nos com um jardim de infância onde deveria estar um estádio. Tudo tranqulo. Erro corrigido e impercetíveis 45 minutos depois já estávamos no local do “crime”: um estádio com bancadas para 20 000 verdadeiramente plantado numa zona de exclusão social. Sem abrigo, drogados, gangs, enfim… tudo bons rapazes.
Altos muros a torneá-lo (o estádio, claro) e, como se não bastasse, um rolo de arame farpado para que os trepadores e homens-aranha lá do sitio não conseguissem transpor a barreira.
Com mais sorte do que juízo, conseguimos entrar no recinto. Deu para filmar e até para entrevistar o responsável que, mal nos topou, quis logo correr connosco.
Almocinho em local tranquilo só a uns 25 quilómetros, pelo que lá nos metemos a caminho. Um texto, mais outra e começo a atacar o vídeo da manhã. A net é fraca, tem de ficar para mais tarde. Já estamos sem muita folga e metemo-nos a caminho do estádio. Um surpreendente trânsito infernal ia-nos arruinando o dia. Mas lá chegamos. A aventura que lá vivemos, será contada depois.
De regresso à “agitadíssima” Magaliesburgo, deu para adiantar serviço no Media center e um “late night dinner”. Depois foi atacar o trabalho já na caminha. Por volta da 01:00, decidi pôr o portátil na mesinha de cabeceira e relaxar os olhos cinco minutos. Acordei com o despertador esta manhã. Pequeno almoço em stress, correr para o centro de imprensa, atacar dois textos mais um vídeo, treino da seleção, conferencia de imprensa, escrever e mais vídeos. Fazer a mala à pressa, conduzir duas horas em contramão, arranjar um parque e relaxar enquanto ataco um gelado com salada de fruta.
Mereço?
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terça-feira, 15 de junho de 2010

Em Magaliesburg, sempre em alerta!!

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Cute...

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Green Hills - My home in Magaliesburg

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Modernices em Maputo

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Horse Ridding (Green Hills)

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E se…?


E se um dia acordasse e me apetecesse ver a abertura do Mundial2010 de futebol “in loco” e sem bilhete? Na altura pareceu-me uma ideia gira, mas talvez inexequível. Pois. Talvez 
Faltavam duas horas para o pontapé de saída e nem sabia se ia arranjar bilhete. Mas, com mais ou menos persuasão, lá o arranjei. O problema estava resolvido. Mas, mesmo assim, decidi testar o sistema.
Portátil aberto nas mãos, kit multimédia (mochila) às costas e lá fui eu do Media Center para o Soccer City, um curto trajeto de uns 200 metros. De sorriso em sorriso, fui passando pelas várias barreiras de segurança sem que me pedissem o bilhete. E sem parar sempre que o alarme tocava ao passar mais uma barreira de segurança. Continuei de taxa arreganhada e ritmo apressado até surgir a primeira dúvida quanto ao caminho que deveria seguir, já no estádio.
- “Por aqui. Faça o favor de subir ao primeiro andar”, disse-me o “voluntário” ladeado por oito jovens trajadas para noite de gala.
Não tardei a perceber que estava na zona VIP. Descobri que também há “tias” na África do Sul e que é má ideia não poder comer (séria crise intestinal, entretanto já debelada) e estar em local onde o vai e vem de exótica e gostosa comida nos tenta a cada olhar.
Desesperado (pudera!!), tentei por todos os meios sair daquele paraíso, mas foi o cabo dos trabalhos, confesso. Finalmente, minutos depois já estava em frente à escadaria que dava acesso às bancadas. Inspirei e, como de costume, avancei “à patrão”, a melhor forma de fazer as coisas por estas bandas.
Em segundos, estava já nas bancadas, sem que ninguém me pedisse o bilhete. Estava apenas munido da credencial do mundial que, em teoria, não dá para ver qualquer jogo, apenas para andar em zonas “especiais”.
Sorrio, dou um passo para trás, retiro o bilhete junto da credencial e peço que me indiquem o lugar. Finalmente, eficazes. Hã! E acabei na ultima fila (a mais alta) do estádio em que uns 85.000 vibraram com uma noite que África há décadas suspirava.
Outros colegas portugueses – cuja identidade, evidentemente, não interessa revelar – tiveram experiencia parecida. Houve quem tivesse entrado no relvado através da bancada, junto ao público. Tranquilamente, sem mostrar qualquer bilhete.
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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Our beloved Portugal

É aqui, na pacata Magaliesburgo, que é possível sentir o orgulho de integração numa pátria, a dimensão de uma nação profundamente enraizada em nós.

O cenário resume-se a uma aldeia no meio de coisa alguma na imensa África do Sul, constituída por uma rua e meia dúzia de habitações. Hã! E uns lodges espalhados por uma ampla área. Tudo somado, não chegam aos 2.000 habitantes.

Pois bem, a seleção de futebol de Portugal chegou e a população nesse dia mais do que duplicou, criando-se um caos nunca visto no trânsito com emigrantes portugueses, oriundos de todos os lados, a surgir trajados mais do que a rigor.

A loucura, que incluiu caldo verde, fêveras e bifanas, contagiou uma comunidade inteira que se mobilizou para ver os “heróis” que, mais de 550 anos depois de Bartolomeu Dias, chegam ao país mais austral de África para tentar fazer novamente história.

Perante uma sempre entusiasmante e comovedora prova de carinho e apoio incondicional, qual a paga dos rapazinhos da seleção? Simplesmente estar o mais longe possível do seu público, de quem os idolatra e ajuda a pagar os milionários e escandalosos salários.

Um ou outro sorriso simpático e as “trombas” habituais do que se julga o melhor do mundo. Mas cada cromo tem o que merece. Quantas vezes não estão bem uns para os outros?
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Simpatia cultural


Foram precisos alguns dias, mas Sarah acabou por confessar. Olhar tímido, mas determinado, usou de todo o seu bom humor britânico – e não é pouco, embora tenha nascido no Zimbabwe - para contar o duplo embaraço com que começou a nossa relação.
- “Dê-lhes bom café e tudo será perfeito. O conselheiro da embaixada insistiu várias vezes nesse ponto. Bem como em tentar manter uma conversa sobre Cristiano Ronaldo”, resumiu Sarah.
A chegada da seleção a Magaliesburgo ia arrastar também muitos jornalistas e no Green Hills esforçaram-se para receber a equipa da Lusa da melhor forma possível. A história do café levou a família Hewitt a comprar várias das melhores e mais dispendiosas marcas para satisfazer os nossos caprichos.
Na primeira manhã em que fui tomar o pequeno almoço, Sarah esperava-nos, com sorriso sincero e alma aberta, para dar as boas vindas.
- “Café?”, perguntou, com uma confiança inabalável, 20 segundos após nos conhecermos.
- “Odeio café. Mas se tiver chã…”, respondi, com sorriso de igual tamanho.
Antes partir do que vergar, recompôs-se e logo passou à fase-social-dois.
- “E o Cristiano Ronaldo, vai ser o melhor do mundial?”.
- “Não quero saber, não gosto dele”, retorqui, alegadamente com um tom tão convicto que acabei com qualquer tentativa de diálogo
Afortunadamente, depois de começar com o pé esquerdo, o direito pôs-se também em movimento e tudo rola agora com a maior das naturalidades.
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domingo, 13 de junho de 2010

Lusitana Paixão

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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Assalto – Anedota 2

Não sei se foi público, mas o Nutbush – o complexo turístico onde decorreu o assalto, em Magaliesburg – foi reservado pela Cosmos. O programa desta agência de viagens para jornalistas custava – sem voos + estadia para os jogos com Costa do Marfim, Coreia do Norte e Brasil – uns míseros 12.000 euros. Ainda em Portugal, ouvi falar de um local soberbo, com campo de golfe incluído, entre outras mordomias. Para mim, por esse preço, suite sem torniquetes de ouro cravados a safiras não me bastava.
Resumindo, a Cosmos meteu barraca. Deu bronca. Da Grossa! O local não é uma espelunca, mas fica num ermo e, em termos de segurança, estamos falados…
Depois de “violentar, quase chantagear e forçar” os cerca de 20 jornalistas que viajaram no seu programa a não mudar de local de estadia (como repararam, as palavras não são minhas, mas citação de vários dos elementos da comitiva), o zeloso capataz da Cosmos foi mais longe. Na dita conferência de imprensa da “anedota 1”, chegou ao cúmulo de fazer perguntas (como se fosse jornalista) e intervir a apoiar e elogiar a atuação da polícia, recriminada pela unanimidade dos estupefactos presentes. Só me admiro como é que nenhum dos colegas, com reconhecida arte para as palavras, não as usou para o recolher à sua insignificância.
No rescaldo de várias atitudes do capataz, já se ouve nos corredores um insistente burburinho de “cá se fazem, cá se pagam”. O que quer isto dizer? “Ni … idea”! Talvez num próximo post a história continue…
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Assalto – Anedota 1

A genialidade de Federico Fellini seria incapaz de tão invulgar ousadia. O momento era sério: três jornalistas assaltados, um deles ameaçado com uma arma encostada à cabeça. O primeiro incidente internacional relacionado com o Mundial2010 exigia medidas adequadas. A solenidade do momento levou nove “oradores” a uma improvisada conferência de imprensa. Durantes a mesma, as "tretas" e contradições atropelaram-se a uma velocidade estonteante, mas esta anedota não vai por aí. Espero poder, em breve, mostrar-vos a foto dos verdadeiros protagonistas. Dois dos responsáveis das autoridades locais e regionais resolveram vestir a preceito e, quando os jornalistas portugueses esperavam ouvir novidades sobre medidas preventivas, surgiram, quais palhaços, como protagonistas do mais fatela e piroso dos circos. Trajados com farta peruca com as cores sul-africanas e outros coloridos adereços relacionados com o Mundial2010. Ridículos? Completos atrasados mentais? Ambos, certamente. Meus caros, a hora vai avançada e a inspiração diminuta, pelo que não se inibam de participar com sugestões de inovadores “cognomes” para estas tristes figuras.
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Tudo tranquilo, tudo em segurança!


Se fosse o famoso boneco inventado pelo desconhecido Carlo Collodi – vá, vão ao Google para perceber do que falo – diria que o título é o fiel retrato de Magaliesburg. O problema é que os recentes factos desmentem isso. Mas sem alarmismos. Mesmo!
Depois de curtas três horas de sono - a aurora mal tinha raiado - deparo-me com notícia inacreditável: o António Simões (e outros dois jornalistas, com os quais não tenho ligações de amizade) foram assaltados. No caso do Simões, com uma arma apontada à cabeça.
Um filme de “terror” que já todos conhecem. Foi amplamente divulgado nos Media. A Lusa não este mal (num par de horas, o seu “take” teve amplo eco internacional). Furou tranquilamente o reforçado sistema policial. À “patrão”. Aqui é assim: não se pergunta, faz-se. Quando queremos ser amáveis e corretos, barram-nos o caminho. Se decidirmos ser autoritários e ousados, poucas barreiras se nos deparam.
O susto já lá vai, mas permanece um ambiente tenso, desconfortável, respirando-se um ambiente de insegurança. Principalmente entre os que não têm experiencia de trabalho/férias em zonas menos pacíficas.
Aqui, longe do mundo, a família de jornalistas é impotente para prevenir o que quer que seja.
“Off the reccord”, na federação há quem confesse que já conhecia a insegurança da zona. Mas a seleção está guardada a múltiplas sete chaves. A “malta” agradece a gentileza
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Green Hills

Nem no mais inspirado dos dias, Van Gogh teria arte para rabiscar uma paisagem assim...
Montes verdejantes, vegetação sóbria, cavalos à solta e William, um miúdo de dez anos que combate um cancro com a determinação do mais inocente dos sorrisos, a encantá-los. Para onde ele vai, os equídeos, como que hipnotizados, seguem-no.
Green Hills. É aqui que me encontro. É neste local que gostaria de passar dias sem fim. E o fim destes dias em Magaliesburg(o).
Infelizmente, apenas posso usufruir do espaço em imaginação, pois após o breve pequeno almoço o buliço do dia não me permite contemplar, saborear essa beleza. Suspiro por essa qualidade de vida.
Sentados, à primeira refeição do dia, o quadro é idílico.
Sarah, mãe de três filhos, e os pais Peter e…. (ainda não conseguimos saber o nome da senhora) fazem-nos sentir verdadeiramente em família. É este um dos melhores lados do Mundial2010. Um dos “bright side” da África que tarda em mostrar o seu lado mais humano.
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segunda-feira, 7 de junho de 2010

TRANQUILA In-segurança

“Isto é muito calmo. É uma comunidade pequena, pacata. Não mais de 2.000 pessoas. Há emprego e prosperidade. Não há qualquer problema, mas é sempre melhor prevenir, certo?”.

Foi o mais belo sorriso de Gauteng a fazer o aviso e isso, por si só, já garantia a maior segurança neste e no outro Mundo.

Por que haveria de preocupar-me com o facto de ter de barricar-me dentro do “cottage”, fechando “sempre” o gradeamento que complementa a porta de entrada, esteja dentro ou fora?

Deveria estranhar o facto da casa, ainda por cima, também ter um sofisticado sistema de alarme?

Será que devo desconfiar quando, ainda assim, nos aconselharam também a ter sempre a luz exterior ligada?

E porque me falou Sarah do botão junto à cama que, acionado, faz com que em impercetíveis minutos entrem vários “gorilas” armados até aos dentes em casa para averiguar o que se passa?

Em Portugal, se conduzir, não beba. Aqui, se conduzir, não o faça à noite.

África do Sul: Uma doce Teoria da Conspiração?
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O MUNDO AO CONTRÁRIO...

- “Rui estás em contra-mão. Espera! Afinal estavas. Não, agora é que estás!”, avisou-me, confuso, o Ortega.

Pois é. Conduzir pela esquerda é uma aventura sui géneris. Não recomendável a gente distraída (como eu) ou sensível e avessa a emoções fortes. Há 28 horas que saíra de Lisboa (da caminha, tinha sido há bem mais tempo) e dava tudo por uma cama. Mas esta estava a mais de 100 km, distancia entre Joanesburgo e Magaliesburg.

Poucos minutos após abandonar o aeroporto a velocidade já chegava aos três dígitos, mas apenas em autoestrada. Aqui, com quatro ou cinco faixas, a única coisa que faz confusão são os inúmeros doidos que cruzam as faixas de um lado para o outro. Nas manhosas nacionais é que se torna mais complicado. A cada cruzamento, é um cálculo mental que cansa. Regularmente, vamos tranquila e alegre em contramão.

(...)

Entretanto, vários dias se passaram e posso afiançar, garantir e mesmo assegurar-vos que sou já um verdadeiro campeão nas “routes” sul-africanas. A Estela e o Ortega são, voluntariamente, e sem qualquer tipo de vergonhosa coação, minhas fiéis testemunhas. Acertar com o lado do cinto de segurança e entrar diretamente para o meu lugar é que é mais complicado, mas isso são irrisórios detalhes da vida de um “ÁS” do asfalto 
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sábado, 5 de junho de 2010

30 horas até à... caminhaaaaa!!

Valeu-me a ida antecipada para Lisboa. Ou as 30 horas entre quinta e sexta-feira até Magaliesburg ter-se-iam transformado numas 38-40. Uma verdadeira odisseia que nem Homero desejava. Lembrar-me de todos os pormenores, com escala em Maputo, cansa-me e não quero deixar ninguém no mesmo estado.
Entre alugar carro, levantar a credencial do Mundial2010 e tratar da internet, preciosas horas voaram. Pela amostra, haverá frisson entre o stress europeu e o relaxado ritmo africano, intemporal.
Combinamos estar as 15:00 no nosso lodge em Magaliesburg, mas já passava da meia noite quando chegámos. Felizmente, um casal idoso (os proprietários) recebeu-nos de braços abertos. O primeiro impacto de Green Hills não podia ser melhor.
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O que é que Maputo tem?

- “Vamos falar sobre isso ali, de volta ao terminal”.
- De forma alguma. No avião há uma lista com o nome dos passageiros. Verá que estou incluído na mesma, respondi.
- “Isso não sei. Mas é melhor falar ali. Está lá o meu colega”.
- Deixe-o estar. Não se incomode. Nem o chateie. Vamos ao avião.

Entretanto, o “candidato-a-fiscal-ou-qualquer-coisa-parecida”, com um óbvio e cúmplice olhar, chama o compincha que tenta colocar um ar ainda mais sério e não menos preocupado (comigo, claro está), insistindo na mesma solução. Que era melhor voltarmos ao terminal.
- Da pista só me dirijo ao avião, não volto atrás, insisto, impávido e sempre, sempre sereno.

Vendo-me irredutível, o personagem fictício 2 lá vai comigo ao avião.
Pesaroso, em menos de dois minutos confirma que realmente me chamo Rui Batista e que, de facto, viajo no lugar 20 F, como lhe dissera.
Meti o sorriso “vai-jogar-pau-com-os-ursos” nº47 (acreditem que há sorrisos mais nefastos) e deixei-o a falar sozinho, dirigindo-me ao meu lugar.

No voo Lisboa-Joanesburgo há uma escala em Maputo, onde chegamos por volta das 05:30. Os passageiros são “convidados” a sair duas horitas do avião. No regresso, já depois de ter entregue o cartão “em trânsito”, fui abordado, já na pista (tal como os outros passageiros), para mostrar o ticket to voo. No meio da tralha toda que carregava, não o encontrei naquele momento e o zeloso “inspetor” já esfregava as mãos de contente. Inocente, mantinha certamente a esperança de que a minha alegada aflição ou pretenso desconforto lhe fosse valer alguns euros…

O chato da história é que em dezembro já houve chatice com a polícia duas vezes em Maputo… sempre com ridículos pretextos para uns meticais/euros. Na fronteira com a Tanzânia, também em 2009, a polícia e o exército foram igualmente claros na tentativa de nos aliviar dos parcos cifrões que carregávamos. Também sem êxito.

Um país tão belo e com gente tão simpática e calorosa não merecia este persistente “lado B”.

*** Este texto foi (e os próximos tb serão) escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Batista vs Mala = ...???

À terceira joelhada a mala fechou. Mesmo! Para que, desde o começo, perceba quem manda. Esta é, claramente, a pior parte de qualquer viagem. Lembrar de nada esquecer e, no fim, não esquecer mesmo de nada. Um desafio herculeano que… já falhei, pois esqueci o carregador do telemóvel. Que todos os males sejam iguais. Este tem solução. E um lado positivo: poupo umas 15 gramas!! YESSSSSSSSSS!!!

Deixar este Portugal gostosamente veraneante rumo ao instável planalto sul-africano não é propriamente o ideal, mas tudo tranquilo: vim “armado” para as adversidades, os dias relativamente quentes (20º) e as noites fresquitas (0º).

Se para qualquer homem já é uma dor de cabeça “empacotar” o “Kit- Sobrevivência”, imagine-se faze-lo em dobro (preparado para verão e inverno) e com metade dos “recursos” para qualquer das estações (a mala tem limite de 20 kg, lembram?). Esta tarefa deixou-me a precisar de férias lol. Isto, claro está, se não tivesse contado com qualquer ajuda feminina. Pois… confesso, pequei. Tenho de partilhar os méritos. 

Uma boleia falhada à última hora obrigou-me a improvisar e foi o companheiro Francisco (o meu cunhado) a salvar-me e levar-me a Campanhã. Uma rapidinha incursão na Lusa (acho que ninguém percebeu que entrei e saí) fez-me chegar ao Alfa pendular com escassos oito minutos de margem. UFA!!!

Refastelado no lugar 41 (com mesa, virado para a frente) vi um filme que só recordarei daqui a uns tempos. O Douro desfilou, à minha direita, e a saudade já aperta. Vão ser quase dois meses sem usufruir da cidade que aos 18 me adotou e fez crescer.

Não é, ainda, tempo de pensar na família e bons amigos que impacientemente (mas não muito) esperam pelo meu regresso e anseiam pelas histórias desta aventura. Nem tão pouco para sentir falta da casinha que guarda boa parte das melhores histórias vividas. Ou de lamentar a longa distancia para a saborosa comidinha que preenche todas os meus desejos.

É apenas altura de tratar das últimas questões técnicas e logísticas em Lisboa e de uma conversinha antes do Mundial2010.

A net teima em não funcionar na viagem e aproveito para olhar as praias de Espinho, que, quase desertas, me parecem mais atrativas do que nunca. Pena não ter podido parar para brincar com uma onda ou deixar-me envolver pela maresia…

Rb

PS: Se alguém me souber dizer como meter um contador de visitas no blogue, a dica é muito bem vinda :)

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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Propósitos deste blogue

Meus caros, este blogue serve tão-só dois propósitos:

1 – Uma memória futura para mim mesmo, registando histórias e experiencias que a mente vai esquecendo. Este registo é o garante que continuarão vivas em mim.

2 – Sossegar familiares e amigos e mostrar-lhes o que os meus sentidos têm captado. Não vai haver muito tempo para mails pessoais. É a melhor forma de vos ir contando o que se passa deste lado.

rb

PS: Uns dias com mais cuidado e outros com menos. Não esperem uma obra literária ou palavras e frases bonitas, pomposas. Escrevo de uma penada, volto a ler e, se não detetar erros, siga p’ra bingo!

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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