sábado, 5 de junho de 2010

O que é que Maputo tem?

- “Vamos falar sobre isso ali, de volta ao terminal”.
- De forma alguma. No avião há uma lista com o nome dos passageiros. Verá que estou incluído na mesma, respondi.
- “Isso não sei. Mas é melhor falar ali. Está lá o meu colega”.
- Deixe-o estar. Não se incomode. Nem o chateie. Vamos ao avião.

Entretanto, o “candidato-a-fiscal-ou-qualquer-coisa-parecida”, com um óbvio e cúmplice olhar, chama o compincha que tenta colocar um ar ainda mais sério e não menos preocupado (comigo, claro está), insistindo na mesma solução. Que era melhor voltarmos ao terminal.
- Da pista só me dirijo ao avião, não volto atrás, insisto, impávido e sempre, sempre sereno.

Vendo-me irredutível, o personagem fictício 2 lá vai comigo ao avião.
Pesaroso, em menos de dois minutos confirma que realmente me chamo Rui Batista e que, de facto, viajo no lugar 20 F, como lhe dissera.
Meti o sorriso “vai-jogar-pau-com-os-ursos” nº47 (acreditem que há sorrisos mais nefastos) e deixei-o a falar sozinho, dirigindo-me ao meu lugar.

No voo Lisboa-Joanesburgo há uma escala em Maputo, onde chegamos por volta das 05:30. Os passageiros são “convidados” a sair duas horitas do avião. No regresso, já depois de ter entregue o cartão “em trânsito”, fui abordado, já na pista (tal como os outros passageiros), para mostrar o ticket to voo. No meio da tralha toda que carregava, não o encontrei naquele momento e o zeloso “inspetor” já esfregava as mãos de contente. Inocente, mantinha certamente a esperança de que a minha alegada aflição ou pretenso desconforto lhe fosse valer alguns euros…

O chato da história é que em dezembro já houve chatice com a polícia duas vezes em Maputo… sempre com ridículos pretextos para uns meticais/euros. Na fronteira com a Tanzânia, também em 2009, a polícia e o exército foram igualmente claros na tentativa de nos aliviar dos parcos cifrões que carregávamos. Também sem êxito.

Um país tão belo e com gente tão simpática e calorosa não merecia este persistente “lado B”.

*** Este texto foi (e os próximos tb serão) escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

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