segunda-feira, 14 de junho de 2010

Simpatia cultural


Foram precisos alguns dias, mas Sarah acabou por confessar. Olhar tímido, mas determinado, usou de todo o seu bom humor britânico – e não é pouco, embora tenha nascido no Zimbabwe - para contar o duplo embaraço com que começou a nossa relação.
- “Dê-lhes bom café e tudo será perfeito. O conselheiro da embaixada insistiu várias vezes nesse ponto. Bem como em tentar manter uma conversa sobre Cristiano Ronaldo”, resumiu Sarah.
A chegada da seleção a Magaliesburgo ia arrastar também muitos jornalistas e no Green Hills esforçaram-se para receber a equipa da Lusa da melhor forma possível. A história do café levou a família Hewitt a comprar várias das melhores e mais dispendiosas marcas para satisfazer os nossos caprichos.
Na primeira manhã em que fui tomar o pequeno almoço, Sarah esperava-nos, com sorriso sincero e alma aberta, para dar as boas vindas.
- “Café?”, perguntou, com uma confiança inabalável, 20 segundos após nos conhecermos.
- “Odeio café. Mas se tiver chã…”, respondi, com sorriso de igual tamanho.
Antes partir do que vergar, recompôs-se e logo passou à fase-social-dois.
- “E o Cristiano Ronaldo, vai ser o melhor do mundial?”.
- “Não quero saber, não gosto dele”, retorqui, alegadamente com um tom tão convicto que acabei com qualquer tentativa de diálogo
Afortunadamente, depois de começar com o pé esquerdo, o direito pôs-se também em movimento e tudo rola agora com a maior das naturalidades.

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