- “Rui estás em contra-mão. Espera! Afinal estavas. Não, agora é que estás!”, avisou-me, confuso, o Ortega.
Pois é. Conduzir pela esquerda é uma aventura sui géneris. Não recomendável a gente distraída (como eu) ou sensível e avessa a emoções fortes. Há 28 horas que saíra de Lisboa (da caminha, tinha sido há bem mais tempo) e dava tudo por uma cama. Mas esta estava a mais de 100 km, distancia entre Joanesburgo e Magaliesburg.
Poucos minutos após abandonar o aeroporto a velocidade já chegava aos três dígitos, mas apenas em autoestrada. Aqui, com quatro ou cinco faixas, a única coisa que faz confusão são os inúmeros doidos que cruzam as faixas de um lado para o outro. Nas manhosas nacionais é que se torna mais complicado. A cada cruzamento, é um cálculo mental que cansa. Regularmente, vamos tranquila e alegre em contramão.
(...)
Entretanto, vários dias se passaram e posso afiançar, garantir e mesmo assegurar-vos que sou já um verdadeiro campeão nas “routes” sul-africanas. A Estela e o Ortega são, voluntariamente, e sem qualquer tipo de vergonhosa coação, minhas fiéis testemunhas. Acertar com o lado do cinto de segurança e entrar diretamente para o meu lugar é que é mais complicado, mas isso são irrisórios detalhes da vida de um “ÁS” do asfalto
segunda-feira, 7 de junho de 2010
O MUNDO AO CONTRÁRIO...
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