
Era hora de voltar. Pensei em regressar diretamente de Maseru para Joanesburgo, mas a família Jardim convenceu-me a reencontra-la em Bloemfontein. Tudo, menos um sacrifício. Negociei transporte para a fronteira, atravessei-a a pé e do outro lado estavam táxis coletivos para vários destinos. Garanti lugar no próximo a sair para Bloemfontein e, como habitualmente em África, esperei que enchesse. Só depois partiu. Vá lá, não sequei mais de uma hora e pouco.
Ia na última fila de um veículo de 12 lugares apinhado de sacos e malas que me retiravam totalmente a vista para a frente. Aliás, sentei-me e não mais consegui mover os pés. O que vale é que a viagem não durou mais de duas horas.
Antes de partirmos, uma discussão em dialecto local que não decifrei, mas no fim acabou tudo em bem – pelo menos penso que sim – e estávamos prontos para a viavem.
A alta velocidade, voávamos para Bloemfontein quando o excesso de velocidade motivou uma ordem de paragem por parte da polícia. Demorar a sair da fronteira tinha sido stressante, perder mais tempo com problemas com a polícia não melhorava o cenário.
A minha apreensão – não tinha pressa, mas gostava de sair do veículo para me conseguir mover, pois todo o corpo parecia já dormente – não tinha paralelo no motorista, que saiu com estilo e grande autoconfiança. O carro da polícia deslocou-se uns 300 metros até nós e o agente saiu da viatura, dirigindo-se à nossa.
Para meu espanto, o nosso motorista tratou de relevar a situação de forma muito prática. Abriu as calças, começou a urinar junto à parte traseira da carrinha e assim, apenas com a cabeça virada para trás, começou a conversa com o agente.
A cara do polícia não augurava bom resultado, mas a verdade é que três minutos depois o motorista, já com “ela” recolhida, voltou à viatura e arrancou.
- “Como conseguiste safar-te da multa”, questionei-o, já ao terminal de táxis no destino.
- “Está sempre tudo controlado”, sorriu, acabando pura e simplesmente com a conversa.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
XXX para a Polícia
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